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Shein perde metade do valor e mira estreia na bolsa de Hong Kong

23/08/2026 14:414 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Shein, gigante chinesa da moda rápida que ficou conhecida por preços baixos e entregas globais, está perto de dar um passo que vinha adiando há anos: abrir capital na bolsa de valores. Depois de tentativas frustradas em Nova York e Londres, a empresa mira agora Hong Kong, com estreia prevista para 1º de setembro. Mas nenhum detalhe foi confirmado oficialmente, e o valor de mercado esperado é bem menor do que a empresa já alcançou no passado.

O que está em jogo

Segundo informações do jornal South China Morning Post, a Shein teria adiado sua entrada na bolsa, originalmente marcada para 28 de agosto, para 1º de setembro. Antes disso, no dia 24 de agosto, começaria o período em que investidores reservam ações, etapa conhecida como bookbuilding. A empresa, porém, mantém sigilo total sobre o processo e ainda discute pontos centrais, como o tamanho da oferta e o valor total do negócio. Isso significa que o cronograma pode mudar novamente.

O que chama atenção é a diferença de valor. As projeções apontam que a Shein pode estrear na bolsa avaliada em menos de US$ 30 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 153 bilhões. Esse número está bem distante dos US$ 98,2 bilhões (cerca de R$ 500,8 bilhões) que a empresa valia em 2022, na última vez em que captou recursos de investidores. Ou seja, mesmo sendo uma das maiores varejistas de moda do mundo, a empresa vale hoje muito menos do que valia há três anos.

Shein: valor de mercado em queda
R$ 500,8 bivalor em 2022Avaliação atingida após a última grande captação de recursos.
R$ 153 bivalor projetado agoraEstimativa para a estreia na bolsa de Hong Kong.
R$ 15,3 bipossível captação máximaCom a venda de cerca de 342 milhões de ações, segundo especulações recentes.

Por que a empresa mudou de rota tantas vezes

A Shein foi fundada em Nanquim, na China, em 2012, e cresceu de forma explosiva durante a pandemia, quando o comércio eletrônico disparou em todo o mundo. Em 2022, a empresa transferiu sua sede para Singapura, numa tentativa de se afastar da imagem de empresa chinesa e facilitar sua entrada em bolsas internacionais. A estratégia, no entanto, não deu certo como esperado: a tentativa de listar ações em Wall Street não avançou, e depois a alternativa de Londres também foi abandonada, com interferência de reguladores chineses na etapa final do processo. Diante desses obstáculos, Hong Kong surgiu como opção intermediária: é uma praça financeira com alcance internacional, mas que também mantém proximidade maior com o governo de Pequim, o que facilita a aprovação regulatória.

Um crescimento cercado de controvérsias e novas regras

Apesar das dificuldades para abrir capital, a Shein consolidou uma posição de destaque no mercado global: em 2024, tornou-se a terceira maior varejista de moda do mundo, atrás apenas de Nike e Adidas, vendendo para cerca de 160 países. A maior parte da produção acontece na província chinesa de Cantão. Só que esse crescimento acelerado trouxe junto críticas sobre impacto ambiental, condições de trabalho na cadeia produtiva, venda de produtos irregulares e práticas comerciais questionadas.

Além da pressão de imagem, o ambiente regulatório também apertou o cerco ao modelo de negócio da empresa. Nos Estados Unidos, o fim da isenção de tarifas para importações de baixo valor atingiu diretamente uma das bases da estratégia comercial da Shein, que dependia de remessas pequenas e baratas. Na União Europeia, desde julho, uma medida parecida está sendo aplicada para conter a entrada em massa de produtos de baixo custo vindos de plataformas como Shein, Temu e AliExpress.

Para você que empreende ou atua no varejo, moda ou comércio eletrônico, esse movimento da Shein serve como termômetro. Ele mostra como mudanças tributárias em grandes mercados internacionais afetam diretamente modelos de negócio baseados em volume e preço baixo, e como a percepção de risco regulatório pode reduzir o valor de uma empresa mesmo quando ela mantém liderança de mercado. Se a estreia em Hong Kong se confirmar em 1º de setembro, será o desfecho de uma novela que dura anos e um sinal de que até gigantes do comércio eletrônico global precisam se adaptar a um cenário mais rígido de comércio internacional.

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