Pular para o conteúdo
Quero ser cliente
Voltar
21/07/2026 14:30· 4 min de leitura· Reforma tributária
Atualizado há 2 horas

Setor de tecnologia diz que prazo da reforma tributária é curto

Setor de tecnologia diz que prazo da reforma tributária é curto
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Faltam pouco mais de cinco meses para o início da cobrança da CBS e do IBS, os novos tributos da reforma tributária, e o setor de tecnologia acaba de soar um alerta que interessa diretamente ao seu negócio. Associações que representam empresas de software e tecnologia da informação enviaram um ofício ao Ministério da Fazenda, à Receita Federal e ao Comitê Gestor do IBS apontando que ainda existem muitas indefinições nas regras da reforma, o que está atrasando o desenvolvimento dos sistemas fiscais que você e seu contador vão usar no dia a dia a partir de 2027.

O documento foi assinado por entidades como ABES, Afrac, Brasscom, Fenainfo e P&D Brasil, que juntas representam empresas responsáveis por desenvolver e manter os sistemas fiscais usados por milhões de empresas brasileiras. Na prática, são essas companhias que constroem os softwares de emissão de nota fiscal, apuração de impostos e cumprimento de obrigações acessórias, o mesmo tipo de sistema que sua empresa ou seu escritório contábil utiliza todos os dias.

O que está travando a adaptação dos sistemas

Segundo as entidades, faltam definições importantes em pontos centrais da reforma: como vai funcionar a integração entre os sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, a regulamentação do Imposto Seletivo, o funcionamento do split payment, regras específicas para quem está no Simples Nacional e a padronização da transição do ICMS para o IBS. Também pesam as mudanças frequentes nos leiautes dos documentos fiscais eletrônicos e a falta de uma orientação única sobre conceitos tributários que deveriam estar claros para todo mundo.

Esse cenário de instabilidade tem um efeito prático direto: cada vez que uma regra muda, as empresas de tecnologia precisam refazer testes e ajustes nos sistemas, o que consome tempo e gera custo. Só no primeiro semestre de 2026, o setor identificou cerca de 386 normas fiscais e 116 publicações relacionadas à implementação da CBS e do IBS, muitas delas revisadas depois de já terem sido divulgadas. Esse volume de mudanças reduz o tempo que sobra para desenvolver, testar e validar os sistemas antes da cobrança começar.

Nota fiscal de serviço e integração nacional também preocupam

Outro ponto sensível é a Nota Fiscal de Serviços eletrônica, a NFS-e. A lei já prevê a padronização nacional desse documento, mas as entidades afirmam que muitos municípios ainda não estão preparados para receber as informações de IBS e CBS, mesmo com a obrigatoriedade marcada para agosto de 2026. Se você presta serviços ou depende da emissão desse tipo de nota, vale ficar de olho: atrasos na adaptação municipal podem gerar dor de cabeça na hora de emitir documentos fiscais corretamente. Também foram citadas dificuldades no compartilhamento de notas fiscais com o Ambiente de Dados Nacional, peça importante da infraestrutura tecnológica que vai sustentar toda a reforma.

O que o setor está pedindo ao governo

As entidades não pedem para adiar o cronograma da reforma. Pelo contrário, afirmam apoiar a implementação do novo sistema tributário. O pedido é por condições técnicas melhores para cumprir os prazos já definidos. Entre as propostas estão a criação de um repositório único com todas as normas da reforma, um canal permanente de diálogo entre Receita Federal, Comitê Gestor do IBS e o setor produtivo, maior harmonização entre as regras publicadas pelos diferentes órgãos e a manutenção de ambientes de teste e homologação durante toda a transição, que deve se estender até 2033.

Até o momento, o Comitê Gestor do IBS informou que segue recebendo contribuições do setor produtivo e que qualquer mudança no cronograma ou nova definição será divulgada pelos canais oficiais. A Receita Federal disse que ainda não tinha analisado o ofício quando foi procurada sobre o assunto.

Como isso afeta sua empresa

Mesmo sem mudança nos prazos legais, esse alerta reforça algo que já vem sendo sentido na prática por quem lida com a área fiscal: é preciso acompanhar de perto a publicação de normas técnicas, leiautes e atos regulamentares da CBS e do IBS, porque as regras ainda estão sendo ajustadas às pressas. Para sua empresa, isso significa que a adaptação não depende só de atualizar o ERP ou o sistema de emissão de notas fiscais, mas também de contar com um parceiro contábil atento às mudanças, capaz de ajustar processos rapidamente conforme novas definições forem publicadas. Manter esse acompanhamento constante até 2027 é o caminho mais seguro para evitar surpresas na hora de emitir documentos fiscais e apurar os novos tributos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

Leia também