Reforma Tributária pode reduzir carga no Lucro Real

Se você é dono de empresa optante pelo Lucro Real, vale prestar atenção nas primeiras simulações sobre a Reforma Tributária do consumo. Estudos feitos por escritórios especializados apontam que, entre 2027 e 2028, a substituição do PIS e da Cofins pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) pode reduzir a carga tributária desse grupo de empresas, principalmente por causa da ampliação do aproveitamento de créditos. Mas atenção: esse não é um efeito garantido para todo mundo. O resultado final depende de características específicas do seu negócio, como setor de atuação, existência de benefícios fiscais e estrutura de fornecedores.
É importante entender que essas projeções não são promessas, são exercícios de simulação feitos com base em dados fiscais e contábeis reais de empresas de diferentes segmentos. Elas têm sido usadas justamente para ajudar companhias a antecipar cenários e ajustar contratos, investimentos e planejamento fiscal antes que as mudanças comecem a valer.
O que muda para quem está no Lucro Real
Hoje, o PIS e a Cofins no regime não cumulativo somam uma alíquota efetiva estimada em cerca de 10,2%, considerando o cálculo por dentro. Com a chegada da CBS, a projeção apresentada pelo Cascione Advogados indica uma alíquota próxima de 9%, além de mais possibilidades de aproveitamento de créditos tributários. Some a isso a extinção gradual do IPI, que também deve pesar na conta de determinados setores. Na prática, isso pode significar menos tributo pago em cima da mesma operação, mas o efeito real só aparece quando você olha para dentro da sua cadeia de compras e vendas.
Nem todos os setores devem sentir isso da mesma forma. O setor de serviços, por exemplo, pode ver uma trajetória de tributação crescente, ainda que o aumento no aproveitamento de créditos ajude a suavizar o impacto. Empresas de tecnologia merecem atenção redobrada, já que parte delas hoje conta com benefícios específicos relacionados ao PIS e à Cofins, que podem ser reconfigurados com a mudança.
Quem é afetado e como cada regime sente o impacto
Se sua empresa está no Lucro Presumido, o cenário inicial é diferente. A alíquota atual de 3,65% de PIS/Cofins deve ser substituída pela CBS, estimada em torno de 9%, o que representa um aumento nominal expressivo. Mas, segundo especialistas, a possibilidade de gerar créditos pode mudar esse resultado na prática, o que significa que decisões de compra de produtos e contratação de serviços vão precisar levar esses valores em conta com mais cuidado do que hoje.
| Regime | Situação atual | Estimativa com CBS |
|---|---|---|
| Lucro Real (PIS/Cofins não cumulativo) | Cerca de 10,2% | Cerca de 9%, com mais créditos |
| Lucro Presumido | 3,65% de PIS/Cofins | Cerca de 9%, com possibilidade de créditos |
Outro ponto de atenção é o futuro dos benefícios fiscais. A partir de 2029, com a entrada gradual do IBS e a substituição do ICMS e do ISS, incentivos concedidos por estados e municípios podem passar por mudanças. Hoje, os benefícios fiscais federais somam cerca de R$ 339,86 bilhões, com destaque para os R$ 148,67 bilhões relacionados à Cofins. Se sua empresa usa algum tipo de incentivo fiscal, o momento é de mapear até quando esse benefício deve durar e como ele entra no planejamento da transição.
Como se preparar
Um aspecto que costuma passar despercebido é o efeito da reforma sobre a relação com fornecedores e clientes. Com a ampliação dos créditos, o custo final de um produto ou serviço não depende só da sua própria tributação, mas também da capacidade dos seus parceiros comerciais de recuperar créditos ao longo da cadeia. Por isso, acompanhar contratos, negociações de preço e o comportamento fiscal de quem está do outro lado da mesa vai ser tão importante quanto cuidar da própria carga tributária.
A implementação da reforma é gradual, começa em 2027 e segue até 2033, quando o novo modelo estará totalmente em vigor. Isso dá tempo para simular cenários, revisar contratos e ajustar processos internos, mas esse tempo precisa ser usado com planejamento. Buscar simulações personalizadas para o seu negócio, considerando regime tributário, setor e estrutura de fornecedores, é o caminho mais seguro para chegar preparado em cada etapa da transição.
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