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Setor de serviços empregou 15,9 milhões de pessoas em 2024, mostra IBGE

28/08/2026 14:304 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

O setor de serviços não financeiros foi responsável por ocupar 15,9 milhões de pessoas em 2024, distribuídas em 1,9 milhão de empresas ativas no Brasil. É o que mostra a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada pelo IBGE. Os números ajudam a entender onde estão as maiores oportunidades de emprego e de faturamento dentro desse segmento tão amplo da economia, que vai de restaurantes a empresas de tecnologia, passando por transportes e serviços profissionais.

Se você tem um negócio nessa área, os dados servem como termômetro: mostram como está o mercado de trabalho, quanto as empresas costumam pagar e onde está concentrada a receita do setor. Isso pode ajudar na hora de comparar sua realidade com a média nacional, negociar salários ou até planejar expansão para outras regiões.

Quem emprega mais e quem paga melhor

Segundo o levantamento, a atividade de alimentação foi a que mais gerou empregos, respondendo por 11,7% do total de pessoas ocupadas no setor, cerca de 1,9 milhão de trabalhadores. Na sequência vêm os serviços técnico-profissionais, com 11,2%, e os serviços de escritório e apoio administrativo, com 8,3%. No conjunto, os serviços profissionais, administrativos e complementares concentraram a maior parcela da mão de obra, com 44,2% das pessoas ocupadas.

Apesar de empregar muita gente, a alimentação não está entre os setores que pagam melhor. A remuneração média da atividade foi de 1,4 salário mínimo, uma das mais baixas do levantamento. Já o transporte dutoviário se destacou como a atividade com maior remuneração média entre todas as pesquisadas: 21,1 salários mínimos, valor mais de três vezes superior ao da segunda colocada, o transporte aquaviário, com 6,9 salários mínimos. Segundo o analista da pesquisa Marcelo Miranda, essa diferença se explica pela alta exigência de qualificação técnica e pelo risco envolvido na atividade.

De forma geral, o setor de serviços pagou em média 2,2 salários mínimos mensais em 2024, quando o piso nacional estava em R$ 1.412. Entre os grandes segmentos, os serviços de informação e comunicação tiveram a maior remuneração média, de 4,5 salários mínimos, enquanto os serviços prestados às famílias, as atividades imobiliárias e os serviços de manutenção e reparação ficaram na ponta mais baixa, com média de 1,5 salário mínimo.

O setor de serviços em números
15,9 milhõespessoas ocupadasdistribuídas em 1,9 milhão de empresas ativas em 2024.
R$ 3,5 trilhõesreceita operacional líquidafaturamento total das empresas de serviços não financeiros.
R$ 644,2 bilhõesem salários e remuneraçõesvalor pago pelas empresas aos trabalhadores do setor.
2,2 salários mínimosremuneração média mensalcom base no salário mínimo de R$ 1.412 em 2024.

Onde está concentrada a receita

A pesquisa também mostra como a receita do setor se distribui entre atividades e regiões. Os serviços profissionais, administrativos e complementares lideraram a participação na receita operacional líquida, com 29,4% do total, seguidos por transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com 28,3%, e serviços de informação e comunicação, com 19%. No total, o setor adicionou R$ 2,1 trilhões à economia brasileira, um indicador da contribuição direta dos serviços para a geração de riqueza no país.

Na divisão por estados, São Paulo concentrou 43,5% da receita bruta nacional de prestação de serviços, seguido por Rio de Janeiro, com 10,1%, e Minas Gerais, com 8,5%. Olhando por região, o Sudeste sozinho respondeu por 63,7% da receita bruta total do setor, à frente do Sul (15,6%), Nordeste (10,1%), Centro-Oeste (7,4%) e Norte (3,3%). Essa concentração também aparece nos salários: o Sudeste teve a maior remuneração média regional, de 2,5 salários mínimos, enquanto o Nordeste registrou a menor, de 1,6 salário mínimo.

Outro dado relevante para quem administra um negócio de serviços é o porte médio das empresas: em geral, cada empresa do setor empregava oito pessoas em 2024. Mas há grandes variações. Atividades como transporte ferroviário e metroferroviário tiveram média de 890 pessoas por empresa, enquanto no aluguel de imóveis próprios a média foi de apenas três pessoas por empresa, refletindo o predomínio de negócios pequenos nesse ramo.

Vale lembrar que o IBGE mudou a metodologia da pesquisa neste levantamento, o que gerou uma quebra na série histórica: a Rais foi substituída pelo eSocial como fonte de dados, e houve um novo critério para excluir empresas inativas da base. Essas mudanças afetaram principalmente as empresas com menos de cinco pessoas ocupadas, e por isso os resultados de 2024 passam a ser a referência inicial da nova série da pesquisa. Na prática, isso significa que comparações com anos anteriores devem ser feitas com cautela, já que a forma de captar os dados mudou.

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