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Selic em queda lenta: o que a fala do BC muda para o crédito da sua empresa

23/09/2026 14:123 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Banco Central voltou a sinalizar que não tem pressa para reduzir os juros. Em evento nesta quarta-feira, o diretor de Política Monetária, Nilton David, disse que a instituição está fazendo um "ajuste fino" na Selic, e não um processo de afrouxamento rápido. Na prática, isso significa que o crédito deve continuar caro por mais tempo, mesmo com os cortes que já vêm sendo feitos.

O que o BC está dizendo

David comparou o momento atual a dirigir "numa estrada com neve e neblina": é preciso reduzir a velocidade e fazer movimentos cirúrgicos, sem solavancos. Na linguagem da economia, isso quer dizer cortes pequenos e graduais na taxa de juros, em vez de reduções mais fortes que aliviariam mais rápido o custo do dinheiro para empresas e famílias.

O Comitê de Política Monetária (Copom) já vinha seguindo essa linha: na semana passada, cortou a Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez seguida, levando a taxa a 13,75% ao ano. Segundo o diretor, mesmo ao final desse processo de calibração, os juros devem permanecer em nível "contracionista", ou seja, ainda alto o suficiente para conter o consumo e a inflação.

Por que isso afeta o seu negócio

Juros em nível contracionista significam crédito mais caro, financiamentos mais custosos e menor apetite de consumo por parte dos clientes. Se você depende de capital de giro, financiamento de máquinas ou linhas de crédito para expandir o negócio, a mensagem é clara: não espere alívio rápido nas taxas bancárias. O planejamento financeiro da empresa precisa considerar um cenário de juros elevados por um período mais longo do que muitos gestores imaginavam.

Por outro lado, o diretor do BC apontou sinais de que a inflação está perdendo força, inclusive em itens mais sensíveis aos juros, como bens e serviços de consumo mais imediato. Ele também mencionou uma desaceleração no ritmo de aumento dos salários, ainda que os reajustes continuem acima da inflação e da produtividade do país. Isso pode significar, com o tempo, menos pressão sobre custos e preços, o que é positivo para o planejamento de médio prazo.

O cenário atual em números
13,75% ao anoSelic atualQuinto corte seguido de 0,25 ponto percentual.

Riscos que podem mudar o rumo

David citou dois fatores externos que aumentam a incerteza e podem interferir nos próximos passos do Banco Central: o fenômeno climático El Niño e a guerra no Oriente Médio. Sobre o conflito, ele observou que o preço do petróleo parece estar se estabilizando em um nível mais alto, e que, mesmo se houver uma solução para a guerra, a queda dos preços deve ser lenta. Isso é relevante porque o petróleo influencia diretamente os custos de combustíveis, transporte e logística, itens que impactam o preço final de praticamente qualquer produto ou serviço.

Segundo o diretor, ainda é difícil saber se esse choque no preço do petróleo vai deixar efeitos duradouros na inflação. Por isso, o BC diz manter a "guarda alta": tolera algum impacto pontual de choques externos nos preços, mas não vai admitir que isso se transforme em inflação persistente. Na prática, é um alerta de que, se o cenário externo piorar, o ritmo de queda dos juros pode ficar ainda mais lento, ou até parar.

Para o gestor, a lição prática é evitar apostar em uma queda rápida dos juros para tomar decisões de investimento ou endividamento. O cenário desenhado pelo Banco Central é de cautela e gradualismo, com juros altos ainda por um bom tempo. Revisar o fluxo de caixa, renegociar dívidas existentes e evitar novos financiamentos com taxas variáveis sem necessidade são medidas que ajudam a atravessar esse período com mais segurança.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.