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Selic cai e juros dos EUA sobem: o que isso muda para sua empresa

17/09/2026 16:194 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, decisão tomada por unanimidade. No mesmo dia, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, fez o movimento contrário: elevou sua taxa básica de juros, encerrando uma sequência de cortes. Ou seja, enquanto o Brasil começa a afrouxar o aperto sobre a economia, os americanos apertam ainda mais. Essa diferença de rumo não é um detalhe técnico: ela afeta diretamente o câmbio, o custo do crédito e as decisões de investimento das empresas brasileiras.

Por que os dois países estão indo em direções opostas

A explicação está no tipo de problema que cada economia enfrenta. No Brasil, a inflação vem desacelerando e já está abaixo do teto da meta, embora ainda acima do centro ideal. A atividade econômica também perdeu força: o país saiu de um crescimento próximo de 3% para um ritmo abaixo de 1,5%. Some a isso o alto endividamento das famílias e o aumento de recuperações judiciais e falências, e fica claro por que o Banco Central decidiu abrir espaço para reduzir os juros, mesmo com o cenário externo desfavorável.

Nos Estados Unidos, o quadro é quase o inverso: a inflação está em 3,4%, acima da meta local de 2% há mais de cinco anos, e o mercado de trabalho segue aquecido. Como a demanda por lá não dá sinais de esfriar, o Federal Reserve não teve alternativa a não ser subir os juros, mesmo sabendo que isso pode frear o crescimento americano. Em resumo: o Brasil lida com um problema que está se resolvendo sozinho, enquanto os Estados Unidos enfrentam um problema que está piorando.

O que isso significa para o câmbio e para os preços

Quando o Brasil reduz juros e os Estados Unidos aumentam, a diferença entre as duas taxas diminui, mesmo que ainda seja superior a nove pontos percentuais. Essa diferença funciona como um prêmio que o Brasil paga para atrair capital estrangeiro. Quanto menor esse prêmio, menor o interesse de investidores de fora em manter dinheiro aqui, e maior a pressão sobre o real. Um real mais fraco encarece produtos importados e insumos usados pela indústria, o que pode realimentar a própria inflação que o Banco Central tenta controlar.

Esse cenário ganha um componente extra: os conflitos no Oriente Médio mantêm o preço do petróleo pressionado, o que é apontado como um dos principais riscos para a inflação brasileira. Como o país ainda subsidia parte do preço dos combustíveis para evitar que essa alta chegue ao consumidor, esse subsídio tem custo para as contas públicas, que já estão apertadas.

Números que resumem o cenário
13,75%Selic atualReduzida de 14% em decisão unânime do Copom.
3,4%Inflação nos EUAAcima da meta americana de 2% há mais de cinco anos.
R$ 1,35 trilhãoColchão de liquidez do TesouroCobre cerca de nove meses de necessidades de financiamento do governo.

O peso do governo nas contas para o ritmo dos cortes

Um ponto central para entender o momento é que o espaço para novos cortes de juros depende diretamente do comportamento das contas públicas. Se o governo continuar aumentando gastos e subsídios, como os que atenuam o preço dos combustíveis, o Banco Central terá menos margem para reduzir a Selic com mais intensidade. Isso porque qualquer sinal de descontrole fiscal tende a pressionar de volta a inflação de serviços e a piorar as expectativas do mercado, que ainda projeta inflação acima da meta para 2026 (4,9%) e 2027 (4,3%).

Apesar dos riscos, vale um contraponto ao alarmismo em torno de uma possível fuga de capitais por causa da alta de juros nos Estados Unidos: o Brasil tem hoje um dos melhores balanços de pagamentos entre países emergentes, reservas internacionais robustas e o já citado colchão de liquidez do Tesouro. Isso não elimina os riscos, mas mostra que o desafio brasileiro é estrutural e fiscal, e não uma fragilidade imediata diante de qualquer movimento do Fed.

O que isso muda na prática para sua empresa

Para quem administra um negócio, esse cenário reforça a importância de não trabalhar com apostas sobre para onde os juros vão exatamente. O caminho mais seguro é manter uma gestão financeira equilibrada: preservar liquidez para aproveitar oportunidades, avaliar proteção cambial caso a empresa dependa de insumos ou produtos importados, e evitar decisões de investimento baseadas apenas em expectativas sobre juros ou câmbio. Com a Selic ainda em patamar elevado e o cenário externo incerto, o crédito deve continuar caro por algum tempo, o que reforça a necessidade de planejamento cuidadoso do caixa e das dívidas da empresa nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.