Selic deve cair para 13,75% em setembro: veja o que esperar
10/09/2026 16:044 min de leituraAtualizado há 56 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Faltando poucos dias para a próxima reunião do Banco Central, o mercado financeiro já trabalha com a redução da Selic como algo praticamente certo. Segundo dados de negociações feitas na B3, a chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros estava em cerca de 95% no fechamento de 8 de setembro. Se isso se confirmar, a Selic sai dos atuais 14% para 13,75% ao ano. Para você que administra um negócio, esse movimento pode significar um alívio gradual no custo do crédito e um sinal de que o ciclo de juros altos começa a perder força.
O que muda
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para decidir o novo patamar da Selic. A taxa é a referência usada pelos bancos para definir os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e linhas de crédito para empresas. Um corte, mesmo pequeno, tende a reduzir aos poucos o custo do dinheiro no mercado, o que pode facilitar a tomada de crédito para capital de giro, investimentos e renegociação de dívidas.
A confiança nesse cenário não é nova: já no início de setembro, as apostas em corte estavam próximas de 95%, percentual que se manteve praticamente estável até o fechamento do dia 8. A chance de os juros ficarem parados em 14% é pequena, algo em torno de 3,5%. Isso mostra que o mercado está bastante seguro sobre a direção da decisão, embora surpresas ainda possam acontecer até a véspera da reunião.
Por que o mercado espera esse corte
A aposta em juros mais baixos está ligada aos sinais de desaceleração da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, ritmo menor do que o avanço de 1,1% registrado nos três primeiros meses. Ao mesmo tempo, o consumo das famílias recuou 0,4% e o setor de serviços, um dos maiores empregadores do país, cresceu apenas 0,2%. Esses números indicam que a atividade econômica está perdendo fôlego, o que reforça a leitura de que o Banco Central tem espaço para continuar reduzindo os juros aos poucos.
Vale lembrar que esse processo de queda já começou: na reunião de agosto, o Copom deu o primeiro passo do novo ciclo, reduzindo a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Se o corte esperado para setembro se confirmar, será a segunda redução seguida, consolidando uma tendência de queda gradual que pode se estender nos próximos meses, dependendo do comportamento da inflação e da atividade econômica.
Como esse movimento é medido
Essas probabilidades vêm de um produto financeiro chamado Opções de Copom, negociado na B3. Nele, investidores apostam se a Selic vai subir, cair ou ficar igual em cada reunião do Banco Central. Se o cenário escolhido se confirmar, quem comprou a opção recebe um pagamento; caso contrário, perde apenas o valor pago inicialmente. Segundo Felipe Gonçalves, superintendente de Produtos de Juros e Moedas da B3, esse mecanismo funciona como um termômetro das expectativas do mercado, ajustado dia a dia conforme novas informações chegam.
O interesse por esse tipo de operação também cresceu: em 8 de setembro havia 3.265.117 contratos em aberto ligados à reunião deste mês, um aumento de aproximadamente 2,5% em relação aos 3.186.783 registrados em 11 de agosto. Esse crescimento mostra que mais investidores estão de olho na decisão e reforça a relevância do dado como indicador de expectativa, embora ele possa mudar até a véspera da reunião, à medida que novos indicadores econômicos, notícias do exterior e sinais do Banco Central forem divulgados.
Para o seu negócio, o recado prático é: mesmo que o corte se confirme, a queda será gradual, de 0,25 ponto por vez. Isso significa que o alívio no custo do crédito também será lento. Ainda assim, é um bom momento para revisar contratos financeiros, negociar taxas com bancos e planejar investimentos, já que o cenário sinaliza continuidade da tendência de queda dos juros, se as condições econômicas se mantiverem como estão.
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