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Cúpula do Brics: o que muda para quem exporta e importa no agro

11/09/2026 04:594 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Se você trabalha com produção rural, comércio de commodities ou fornece insumos para o agronegócio, vale prestar atenção ao que está sendo discutido na Cúpula do Brics, reunião de líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul que acontece neste fim de semana em Nova Delhi. Por trás da pauta diplomática, há decisões que podem mexer no preço dos fertilizantes que você compra, no valor da soja que você vende e até na moeda usada para fechar negócios internacionais.

O Brasil não é um espectador nessa história. Em 2024, o país exportou 165 bilhões de dólares em produtos agropecuários, e 41% desse total foi para os próprios países do Brics. Ou seja, quase metade do que o agro brasileiro vende para fora depende diretamente da relação comercial com esse grupo de países. Qualquer mudança nas regras de comércio entre eles tem potencial de chegar até a sua porteira.

Fertilizantes: o elo mais sensível

O ponto mais delicado para quem produz no Brasil é o fertilizante. O país compra fora cerca de 80% de todo o adubo usado nas lavouras, e a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã afetou justamente uma região que fornece parte importante desse insumo ao mundo, reduzindo o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e pressionando a produção de fertilizantes nitrogenados, que dependem do gás natural.

Os números mostram o tamanho do problema: entre janeiro e julho, as importações brasileiras de fertilizantes caíram 7,48% em relação ao mesmo período do ano anterior, justamente quando o conflito no Oriente Médio colocou sob risco as rotas marítimas e a oferta de nitrogenados. A Conab já sinalizou risco para o abastecimento nacional, considerando um consumo estimado em 51,7 milhões de toneladas. Como resposta, o governo sancionou em setembro a Lei do Profert, programa que busca reduzir a dependência externa e garantir suprimento mais estável desses insumos.

Dependência externa de fertilizantes
80%dos fertilizantes usados no Brasil vêm de forao que expõe custos de soja, milho, algodão e café a instabilidades externas.
45,5 milhões timportadas em 2025por US$ 15,46 bilhões, segundo a Secex/MDIC.
-7,48%queda nas importações entre janeiro e julhoem meio ao conflito no Oriente Médio e risco de abastecimento apontado pela Conab.

Novos mercados e nova forma de pagar

Enquanto os fertilizantes preocupam, a Índia se abre como oportunidade de venda. As exportações do agro brasileiro para o país indiano somaram 2,3 bilhões de dólares no primeiro semestre, crescimento de 78,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O motivo inclui chuvas abaixo da média nas lavouras indianas de soja, milho, arroz e cana, o que aumenta a necessidade do país de importar alimentos, incluindo açúcar, óleos vegetais e leguminosas.

Outra frente em discussão é a forma como esse comércio é pago. A Índia quer avançar na conexão entre moedas digitais dos bancos centrais do bloco, dando continuidade a uma iniciativa de pagamentos internacionais que busca tornar as transferências mais rápidas e baratas, permitindo liquidação em moedas locais em vez do dólar. Para quem vende soja, carne ou açúcar, ou compra fertilizante de fora, mudanças no prazo, custo ou moeda de pagamento podem alterar a estrutura financeira dessas operações. Mas o mecanismo ainda é voluntário e enfrenta resistência política dentro do próprio grupo, então não deve mudar a rotina do seu negócio de uma hora para outra.

A soja concentra o ponto de maior exposição do Brasil às decisões entre China e Estados Unidos. A China importou, em 2025, um volume recorde de soja, e o Brasil respondeu por 68,5% do valor gasto pelos chineses com o produto. Só que, nesta semana, empresas chinesas compraram soja americana antes de uma visita prevista do presidente chinês aos Estados Unidos, em um momento de menor oferta brasileira entre safras. Os compradores privados chineses ainda pagam tarifa de 10% sobre a soja americana, o que mantém o produto brasileiro competitivo, mas qualquer mudança nessa tarifa pode afetar como a China divide suas compras entre Brasil e Estados Unidos, e isso aparece diretamente nos prêmios pagos nos portos brasileiros.

Como acompanhar esse cenário na prática

Para o gestor rural ou empresário do setor, o recado é acompanhar de perto três frentes: o custo e a disponibilidade de fertilizantes, já que qualquer nova tensão no Oriente Médio pode encarecer ainda mais o insumo; as oportunidades de exportação para a Índia, que está com demanda aquecida por alimentos; e as movimentações comerciais entre China e Estados Unidos, que influenciam diretamente o preço da soja recebido no Brasil.

Nenhuma dessas mudanças acontece de forma isolada. Elas se conectam e podem chegar ao seu planejamento financeiro, seja no custo de produção, seja na receita da próxima safra. Manter contato próximo com sua contabilidade e assessoria comercial ajuda a antecipar esses efeitos e ajustar decisões de compra de insumos e comercialização da produção antes que as mudanças cheguem ao seu bolso.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.