Selic deve cair em 2026? Entenda o que pode mudar com a eleição
06/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você toma crédito para financiar a operação da sua empresa, fica de olho no câmbio ou simplesmente quer entender para onde vai a economia, a taxa Selic é um dado que interessa diretamente ao seu bolso. O Banco Central já cortou os juros básicos por cinco vezes seguidas, levando a Selic a 13,75% ao ano. E agora, pela primeira vez neste ciclo, o resultado da eleição presidencial entrou na conta de quem projeta os próximos passos dos juros no país.
Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal que reúne as projeções de instituições financeiras, o mercado espera a Selic em 13,50% ao final de 2026 e em 12% em 2027. Essas estimativas estão estáveis há várias semanas, mas ainda não refletem totalmente o impacto do primeiro turno das eleições, no qual Flávio Bolsonaro (PL) teve desempenho acima do esperado pelas pesquisas, ficando à frente de Lula (PT). Com isso, o mercado passou a embutir menos incerteza nos preços, o que já derrubou parte do "prêmio de risco" que estava sendo cobrado nos juros futuros.
O que muda no curto prazo
Apesar da reação positiva do mercado após o primeiro turno, especialistas ouvidos pela reportagem original são unânimes: isso não deve mudar a decisão do Banco Central na próxima reunião, em novembro. A expectativa continua sendo de um corte de 0,25 ou 0,30 ponto percentual, mantendo o ritmo gradual que já vinha sendo praticado. Ou seja, para sua empresa, não espere uma mudança brusca no custo do crédito nas próximas semanas só por causa da eleição.
O que pode acontecer, segundo os economistas consultados, é uma melhora gradual em outras frentes, como o câmbio. Um real mais forte ajuda a conter a inflação importada e dá ao Banco Central mais conforto para seguir cortando os juros no ritmo atual, ou até acelerar esse processo mais à frente.
Por que a eleição importa, mas não decide sozinha
Um ponto central levantado pelos especialistas: não é o nome de quem for eleito que determina o rumo da Selic, e sim a política econômica que o novo governo vai adotar, principalmente em relação aos gastos públicos. Se o próximo governo sinalizar uma política fiscal mais austera, com controle de despesas, isso tende a melhorar a percepção de risco do país e abrir espaço para cortes maiores de juros. Já um cenário de gastos públicos mais elevados pode ter o efeito contrário, pressionando a inflação e obrigando o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo.
Isso acontece porque a meta de inflação no Brasil é de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos. Hoje, a inflação medida pelo IPCA está em 4,22% nos últimos 12 meses, acima do centro dessa meta. Quando as projeções de inflação para os próximos anos permanecem elevadas, o Banco Central fica mais cauteloso na hora de reduzir os juros, justamente para não perder o controle dos preços.
Vale lembrar que uma Selic menor não significa, automaticamente, crédito mais barato para sua empresa. A taxa final que você paga num empréstimo é formada pela Selic somada ao spread cobrado pelo banco, ao risco da sua operação, às garantias oferecidas, ao prazo e à estrutura do contrato. Ou seja, mesmo com juros básicos em queda, o custo do crédito pode continuar alto dependendo do seu perfil e das condições negociadas com a instituição financeira.
Por outro lado, setores mais dependentes de crédito e do consumo interno, como varejo, construção civil, educação, saúde e empresas de menor porte, tendem a sentir mais rapidamente os efeitos de uma eventual queda sustentada dos juros, já que o custo de financiamento mais baixo favorece investimentos e consumo.
Como se preparar
Para o empresário, a recomendação prática é não tomar decisões de investimento ou renegociação de dívidas baseadas apenas na expectativa de queda da Selic. O segundo turno da eleição, marcado para 25 de outubro, ainda pode trazer novidades sobre a equipe econômica e as propostas concretas do próximo governo, fatores que o mercado está acompanhando de perto antes de ajustar de vez suas projeções. Até lá, vale manter o planejamento financeiro com cautela, acompanhar o Boletim Focus e avaliar com seu contador ou gestor financeiro o real custo de crédito disponível para sua empresa, considerando não só a Selic, mas todos os componentes que formam a taxa final.
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