Selena Gomez é processada por fraude em startup de saúde mental
15/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 17 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Investidores da Wondermind, startup de saúde mental criada por Selena Gomez, entraram na Justiça dos Estados Unidos contra a cantora, sua mãe, Mandy Teefey, e a cofundadora Daniella Pierson. A acusação é de fraude com valores mobiliários: segundo o processo, as rés teriam prometido parcerias, contratos e uma estrutura de negócios que nunca existiram, enquanto escondiam dos investidores que a empresa estava em colapso financeiro.
O caso envolve dois fundos de investimento, a Wondermind SRS 44 e a Bespoke Wondermind SPV, que afirmam ter aportado quase US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,26 milhões) na startup. Eles dizem ter tomado a decisão de investir com base em informações que, segundo a ação, eram falsas: liderança qualificada, parcerias fechadas com grandes marcas e um aplicativo em desenvolvimento que nunca saiu do papel.
O que os investidores alegam
De acordo com o processo, em 2022 a cofundadora Daniella Pierson teria afirmado, em reunião e por e-mail, que a Wondermind já tinha parcerias com instituições como JP Morgan e Fidelity, previa faturar US$ 5 milhões em publicidade naquele ano e já contava com 150 mil assinantes. Com base nesses números, ela teria enviado aos investidores uma projeção de que a empresa poderia valer mais de US$ 4 bilhões no futuro. A acusação é de que esses dados eram inflados e não refletiam a realidade do negócio.
Os investidores só teriam percebido a gravidade da situação depois que uma reportagem da Forbes mostrou que Pierson exagerou seu histórico de sucesso empresarial e os números de sua própria newsletter. A partir daí, segundo o processo, Mandy Teefey teria admitido a investidores que Pierson havia usado indevidamente recursos da empresa para pagar despesas pessoais, como o aluguel de um apartamento em Nova York.
Outro ponto citado na ação é uma reportagem do site The Cut, de setembro de 2025, que relatou má gestão na empresa, um suposto comportamento errático de Teefey no ambiente de trabalho e um distanciamento de Selena Gomez da operação em meio a desentendimentos familiares. Os autores do processo sustentam que, durante cerca de três anos, nenhum executivo ou fundador avisou os investidores de que a empresa estava se deteriorando internamente enquanto seguia captando recursos.
Quem responde pelo quê
A Wondermind, Selena Gomez, Mandy Teefey e Daniella Pierson são acusadas conjuntamente de fraude com valores mobiliários e de induzir os investidores a aportar dinheiro na empresa com base em informações falsas. Isso inclui superestimar o envolvimento de Gomez no dia a dia da companhia, como se ela fosse uma espécie de "chefe de marketing" ativa, além de distorcer a capacidade de liderança de Teefey e a trajetória profissional de Pierson.
Pierson é a única ré que também responde individualmente por outras duas acusações: apropriação indevida e enriquecimento sem causa, ligadas ao suposto uso de dinheiro da empresa para gastos pessoais. Já a Wondermind, como empresa, responde ainda por quebra de contrato.
O histórico recente da Wondermind reforça o cenário de dificuldades: em maio de 2025, a Forbes já havia revelado que a empresa ficou sem caixa e atrasou pagamentos a funcionários, chegando a demitir cerca de dois terços do time dias depois. Um porta-voz da empresa chegou a dizer, na época, que a situação havia sido corrigida, embora reconhecesse "dores do crescimento".
Para você que administra uma empresa, o caso é um lembrete direto sobre os riscos de captar recursos com base em projeções infladas e sem transparência com quem investe. Promessas de parcerias, faturamento e crescimento futuro precisam ser sustentadas por contratos, números auditáveis e comunicação honesta, principalmente quando terceiros colocam dinheiro no negócio. Manter controles financeiros claros, registrar formalmente compromissos com investidores e comunicar dificuldades assim que elas aparecem são medidas simples que evitam que um problema de caixa se transforme em um processo por fraude.
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