Seguro por assinatura: como a Pier driblou regras e cresceu 60% ao ano
06/11/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você ainda associa seguro a contratos anuais, burocracia e semanas de espera para receber uma indenização, vale conhecer o caso da Pier Seguradora. A empresa, comandada pela CEO Camila Kataguiri, criou um modelo de seguro por assinatura para celulares e carros, com cobrança mensal e renovação automática, parecido com o que você já vê em serviços como Netflix ou Spotify. Para isso, precisou enfrentar regras do setor que não foram feitas pensando nesse tipo de negócio, e conseguiu mudá-las.
O que mudou no mercado de seguros
Até pouco tempo, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão que regula o setor, só permitia a renovação automática de apólices uma vez por ano. Isso tornava inviável, na prática, oferecer um seguro com cobrança mensal recorrente, como faz a Pier. A empresa levou essa limitação ao regulador e trabalhou para alterar a regra, o que abriu caminho para o modelo de assinatura que hoje é sua marca registrada.
Outro ponto que a empresa questionou foi a exigência de capital mínimo para abrir uma seguradora, que era a mesma para empresas de todos os portes. Na avaliação de Camila, isso favorecia as seguradoras grandes e dificultava a entrada de novos concorrentes. Depois, o mercado passou a adotar uma divisão por categorias (S1, S2 e S3), com exigências diferentes conforme o tamanho da seguradora, o que facilita a entrada de empresas menores ou mais novas no setor.
A tecnologia também foi usada para contornar outra barreira prática: o prazo de pagamento de sinistros. A regra permite até 30 dias para a seguradora pagar uma indenização, prazo que, segundo Camila, não foi pensado na experiência de quem depende do celular todos os dias. A Pier desenvolveu um agente de inteligência artificial para acelerar esse processo e, hoje, um terço dos sinistros de celular é pago via Pix em poucos segundos, mesmo a regra permitindo um mês inteiro para isso.
Por que isso importa para quem empreende
A história da Pier é um exemplo prático de como regras pensadas para um mercado tradicional podem travar modelos de negócio novos, e de como é possível, com insistência, provocar mudanças regulatórias. Para empresários de qualquer setor regulado, fica a lição de que questionar normas ultrapassadas junto ao órgão responsável pode ser parte da estratégia de crescimento, não apenas um obstáculo a ser contornado em silêncio.
Outro ponto relevante é o uso da tecnologia como diferencial competitivo dentro de limites regulatórios. A Pier não descumpriu a regra dos 30 dias, apenas usou automação para entregar mais rápido do que o mínimo exigido. Esse tipo de postura, cumprir a lei mas buscar superar a experiência que ela garante ao cliente, pode ser aplicado em diversos segmentos, não só em seguros.
O reconhecimento veio em forma de ranking: neste ano, a Pier ficou em primeiro lugar no World's Best Insurance Companies 2026, pesquisa elaborada pela Statista em parceria com a Forbes dos Estados Unidos, que ouviu mais de 45 mil clientes em 13 países. Para Camila, isso confirma que apostar na experiência do cliente, e não apenas em cumprir normas, é o caminho certo.
Gestão e cultura como parte do negócio
Camila também destaca a importância da cultura organizacional para sustentar esse crescimento. Todo profissional contratado pela Pier passa por um treinamento de integração conduzido pessoalmente por ela, com duração de uma hora e meia, dedicado a explicar as regras internas da empresa. Para quem lidera um negócio, é um lembrete de que crescimento acelerado exige também investimento em cultura e alinhamento de equipe, não apenas em produto e tecnologia.
Ela ainda reforça a importância de saber priorizar diante do volume de decisões do dia a dia, para não cair na armadilha de confundir agenda cheia com produtividade. É um ponto que vale para qualquer gestor: a capacidade de escolher as batalhas certas costuma pesar mais no resultado final do que a quantidade de tarefas executadas.
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