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Salários de TI no Brasil: as profissões que pagam até R$ 53 mil

10/08/2026 11:414 min de leituraAtualizado há 23 dias

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem enfrentado dificuldade para contratar ou manter profissionais de tecnologia na sua empresa, um novo levantamento ajuda a explicar o motivo. Um estudo do instituto de tecnologia Inteli, feito em parceria com a consultoria WKS, analisou cerca de 20 mil vagas de emprego no país e identificou as dez profissões de TI mais bem pagas do Brasil, com remunerações que chegam a R$ 53,6 mil por mês. O recorte é útil para qualquer gestor que precise entender o que está pesando no orçamento de tecnologia e como se posicionar diante de um mercado de talentos cada vez mais disputado.

O que mostra o levantamento

O estudo aponta que os salários mais altos estão concentrados em cargos de liderança, gestão estratégica, segurança cibernética e inteligência artificial. No topo do ranking aparecem posições como Chief Technology Officer, Chief Security Officer e Chief Information Officer, seguidas por funções de gerência em dados, segurança da informação, infraestrutura e business intelligence. Também entram na lista especialistas técnicos ultraespecializados, como profissionais de IA e machine learning e engenheiros de inteligência artificial, o que mostra que nem sempre é preciso assumir um cargo de chefia para alcançar uma remuneração elevada.

CargoSalário máximo
Chief Technology Officer (CTO)R$ 53.600
Chief Security Officer (CSO)R$ 52.500
Chief Information Officer (CIO)R$ 49.500
Gerente de DadosR$ 37.900
Gerente de Segurança da InformaçãoR$ 37.200
Gerente de TI GeneralistaR$ 35.000
Especialista em IA e Machine LearningR$ 32.500
Gerente de Business Intelligence (BI)R$ 29.400
Gerente de InfraestruturaR$ 27.900
Engenheiro de Inteligência ArtificialR$ 27.100

Por que os salários estão tão altos

A explicação por trás desses valores está em um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda. Entre 2019 e 2024, o mercado brasileiro precisou de 665 mil profissionais de tecnologia, mas a formação de novos trabalhadores no período somou apenas 464 mil. O resultado é um déficit de mais de 200 mil pessoas, o equivalente a 30,2% da demanda que não foi atendida. Esse cenário coloca bancos, redes de varejo, indústrias e hospitais em disputa direta por talentos, o que empurra os salários para cima, especialmente nas posições estratégicas ligadas à transformação digital.

Vale destacar, no entanto, que o mercado de trabalho em tecnologia não se resume aos cargos mais bem pagos. A maior parte das vagas abertas no país ainda está concentrada em funções mais operacionais: cerca de 60% das oportunidades estão divididas entre desenvolvimento de software e infraestrutura e suporte, enquanto dados e inteligência artificial respondem por menos de 18% dos anúncios. Isso acontece porque a maioria das pequenas e médias empresas brasileiras, cerca de 80% delas, ainda tem baixa maturidade digital e precisa de profissionais para construir e manter sistemas básicos antes de avançar para projetos mais sofisticados.

O que pesa na hora de pagar mais

O estudo também identifica quais qualificações fazem a diferença na remuneração. Vagas que exigem conhecimento em inteligência artificial aparecem com frequência duas vezes maior nas faixas salariais acima de R$ 10 mil. A fluência em inglês, embora exigida em apenas 7,5% dos anúncios com salário divulgado, pode dobrar as chances de o profissional alcançar remunerações intermediárias e altas. Certificações técnicas em cloud computing, engenharia de dados e cibersegurança também pesam: quase metade dos gestores ouvidos afirma pagar mais para candidatos certificados nessas áreas. Do lado comportamental, comunicação clara, criatividade e organização são as habilidades mais valorizadas pelos recrutadores.

Como isso afeta o seu negócio

Para quem gerencia uma empresa, esses números têm efeito prático imediato no planejamento de pessoal e no orçamento de tecnologia. Se sua empresa depende de sistemas, dados ou segurança da informação, é provável que você já sinta a pressão por salários mais altos nessas áreas, ou a dificuldade de encontrar profissionais disponíveis no mercado. Isso reforça a importância de planejar com antecedência a contratação de posições estratégicas de TI, considerar parcerias com empresas especializadas quando a estrutura interna não comportar cargos de alto custo, e investir na capacitação de quem já está no time, como forma de reter talentos sem depender apenas da disputa salarial.

O cenário também é um alerta sobre planejamento financeiro: cargos de liderança em tecnologia hoje custam tanto quanto posições de diretoria em outras áreas da empresa, o que exige atenção redobrada na hora de estruturar a folha de pagamento e negociar contratos com fornecedores de TI. Empresas que ainda não avançaram na maturidade digital podem usar esse momento para revisar prioridades: às vezes, antes de contratar um especialista caro em inteligência artificial, faz mais sentido investir em profissionais de infraestrutura e suporte, que sustentam a operação do dia a dia.

Na prática, o recado do estudo é claro: tecnologia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser um fator estratégico que impacta diretamente a competitividade do negócio. Ficar de olho nessas tendências salariais ajuda você a tomar decisões mais informadas sobre quando contratar, quando terceirizar e onde investir em capacitação, evitando surpresas no orçamento e garantindo que sua empresa não fique para trás na corrida pela transformação digital.

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