Saída de capital estrangeiro da bolsa após eleição: o que isso significa
03/11/2026 15:373 min de leituraAtualizado há 4 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Logo após o resultado da eleição presidencial, investidores estrangeiros venderam cerca de US$ 2,4 bilhões em ações na bolsa brasileira, segundo levantamento do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). O movimento chama atenção porque reverte boa parte de um fluxo de compras expressivo que havia ocorrido nas semanas anteriores, e ajuda a explicar oscilações recentes no mercado financeiro que podem afetar desde o custo de crédito até as decisões de investimento de empresas brasileiras.
Para entender o tamanho do movimento, é preciso olhar o período completo. Na primeira quinzena de outubro, logo depois que o primeiro turno indicou força do candidato de direita Flávio Bolsonaro, estrangeiros compraram cerca de US$ 4,2 bilhões líquidos em ações brasileiras. Só no dia 5 de outubro, entraram US$ 2 bilhões, o maior volume em um único dia desde 2009. Depois da reeleição de Lula, em 30 de outubro, esse cenário virou: nas duas semanas seguintes ao resultado, as vendas somaram os tais US$ 2,4 bilhões, sendo US$ 1,4 bilhão concentrado nos quatro primeiros pregões após a votação.
O que explica a saída de recursos
Segundo o economista sênior do IIF, Jonathan Fortun, parte expressiva desse capital estrangeiro passou pelo EWZ, o maior fundo negociado em bolsa (ETF) ligado ao Brasil nos Estados Unidos. Esse fundo perdeu cerca de um quarto das entradas que havia recebido no início de outubro já na semana seguinte à eleição, o que ajuda a dimensionar a rapidez da reversão.
O IIF também observa que parte das vendas começou antes mesmo do segundo turno, à medida que as pesquisas eleitorais indicavam um resultado mais apertado. Ou seja, muitos investidores já vinham reduzindo sua exposição à bolsa brasileira por precaução, antes mesmo de o resultado final ser conhecido. Isso mostra que o movimento não foi uma reação repentina, mas um ajuste gradual de posições diante da incerteza política.
Apesar da forte saída de recursos nas duas semanas seguintes à eleição, o saldo de outubro como um todo ainda ficou positivo: as compras líquidas de ações brasileiras por estrangeiros somaram cerca de US$ 1,8 bilhão até o dia 29 do mês, segundo o IIF. Isso indica que, mesmo com a reversão, o volume vendido não anulou completamente o forte interesse demonstrado no início do mês. Vale lembrar também que, no fim de setembro, a Copley Fund Research havia apontado que fundos globais de mercados emergentes entraram em outubro com uma posição recorde de US$ 42,4 bilhões investidos no Brasil, o que mostra que o país vinha atraindo atenção relevante de investidores internacionais antes mesmo da eleição.
O que esperar para os próximos meses
O IIF atribui parte das vendas recentes ao fato de muitos investidores terem aberto posições apostando em um cenário diferente após o primeiro turno, e precisarem se ajustar diante do resultado final, considerado por muitos uma vitória surpreendente de Lula. Fortun afirma esperar que os investidores estrangeiros continuem sendo vendedores líquidos de ações brasileiras em novembro, até que a nova equipe econômica do governo eleito seja conhecida, embora o ritmo das vendas diárias já tenha diminuído de forma significativa no fim de outubro. Vale destacar que, de forma histórica, o IIF apontou que os estrangeiros voltaram a comprar ações brasileiras depois da vitória de Lula no segundo turno de 2022, um padrão que pode se repetir.
Para empresários e gestores, esse cenário serve como termômetro de curto prazo: movimentos de saída e entrada de capital estrangeiro costumam influenciar a cotação do dólar, o custo de crédito e o humor geral do mercado, fatores que afetam desde o planejamento de investimentos até decisões de precificação e importação. Por isso, mais do que reagir a cada oscilação diária, o recomendado é acompanhar a formação da equipe econômica e os sinais de política fiscal nos próximos meses, que devem ser determinantes para definir se o fluxo estrangeiro volta a ser positivo de forma consistente.
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