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Rodeio no Brasil vira negócio bilionário: entenda o mercado por trás da PBR

24/08/2026 14:304 min de leituraAtualizado há 9 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você associa rodeio apenas a festa de peão de cidade do interior, vale rever esse conceito. A montaria em touros no Brasil se transformou em um negócio com prêmios milionários, patrocínios, gestão profissional e ligação direta com o circuito internacional. À frente dessa transformação está Adriano de Moraes, ex-campeão mundial da modalidade e hoje presidente da Professional Bull Riders no Brasil (PBR Brasil), que enxerga no esporte um caminho para atrair grandes empresas, do mesmo jeito que elas investem em times de futebol.

O caso mais recente que ilustra esse movimento é o do jovem Gabriel Henrique da Silva, de 19 anos, natural de Lagoa Formosa (MG), cidade de cerca de 18 mil habitantes. Ele terminou invicto a final da Festa do Peão de Barretos, pontuando em todas as etapas da temporada, faturou R$ 100 mil na competição e ainda foi eleito a Revelação do ano. Histórias assim mostram por que Moraes trata o esporte como ferramenta de ascensão social para jovens de pequenas cidades, muitas vezes distantes de qualquer estrutura esportiva tradicional.

Um mercado que já movimenta bilhões

Para quem enxerga o rodeio apenas como espetáculo, os números surpreendem. A montaria em animais, somando touros e as diferentes modalidades com cavalos, é estimada em R$ 10 bilhões por ano no Brasil. Um campeão da PBR pode faturar até R$ 1 milhão em uma única temporada, sem contar contratos de publicidade. A etapa do PBR Grand Rodeo de Sorriso (MT), realizada em julho, distribuiu R$ 500 mil somente naquela rodada, valor recorde na história da liga no país e superior ao prêmio da própria final de Barretos.

Dinheiro em jogo no rodeio profissional
R$ 10 bilhõesmercado anualestimativa que inclui montaria em touros e cavalos no Brasil.
R$ 1 milhãopor temporadao que um campeão pode faturar, sem contar publicidade.
R$ 890 milprêmios em 2025valor conquistado pelo atual campeão nacional em 21 etapas.

O atual campeão nacional, João Paulo Velasco, de Paranaíta (MT), é exemplo direto desse ecossistema. Ele venceu a final de Barretos ao permanecer os 8 segundos regulamentares sobre o touro Mickey Mouse e levou para casa uma caminhonete e R$ 200 mil, total avaliado em R$ 500 mil. Somando as 21 etapas da temporada, ele acumulou R$ 890 mil em premiações. Agora, contratado por um time da liga de montaria por equipes nos Estados Unidos, ele se prepara para atuar no mercado americano, confirmando que o calendário brasileiro funciona como porta de entrada para o circuito internacional.

Quem sustenta esse negócio

Por trás dos 8 segundos de cada montaria existe uma cadeia econômica que vai muito além do peão em cima do touro. Criadores e proprietários de animais, empresas de genética e nutrição, veterinários, equipes técnicas, produtores de eventos, mídia e patrocinadores compõem essa estrutura. Os próprios touros são avaliados e disputam rankings: o touro Mandrake Jr, por exemplo, avaliado em R$ 1 milhão, foi bicampeão em Barretos e recebeu um bônus de R$ 100 mil na competição.

Encontrar um touro com aptidão para o esporte não é trivial. Segundo a PBR Brasil, em um rebanho comum de 100 animais, apenas cerca de 4% apresentam capacidade de pular como exigido nas arenas. Por isso, o trabalho de seleção genética cruza touros com histórico de bom desempenho com fêmeas que também tenham essa linhagem, buscando aliar força e agilidade. A entidade trabalha ainda para reduzir o peso ideal desses animais atletas, hoje entre 700 e 800 quilos, o que tende a deixá-los mais ágeis nas provas.

Esse é justamente o ponto que Moraes considera o próximo passo do negócio: transformar a montaria em um complexo comercial mais amplo, que vá além dos prêmios em arena. A PBR no Brasil integra hoje uma organização internacional controlada pela TKO Group Holdings, mesma companhia por trás de marcas como UFC e WWE, em uma aquisição estimada em US$ 3,25 bilhões. O modelo de negócio dessa controladora se apoia em direitos de mídia, venda de ingressos, patrocínios e parcerias com marcas, caminho que a operação brasileira também busca seguir para atrair mais investimento.

Para empresários e gestores, especialmente os ligados ao agronegócio, pecuária e eventos, esse movimento aponta uma tendência clara: setores tradicionalmente vistos como regionais ou culturais podem se profissionalizar e atrair capital, patrocínio e visibilidade nacional quando ganham estrutura de gestão, calendário organizado e conexão com mercados internacionais. Acompanhar esse tipo de transformação pode revelar oportunidades de negócio, patrocínio ou investimento em setores que ainda não são vistos como plenamente profissionais, mas que caminham nessa direção.

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