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Reforma Tributária: por que esperar até 2027 pode custar caro à sua empresa

28/09/2026 18:304 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Muita gente ainda pensa na Reforma Tributária como algo distante, um problema que só vai "chegar" em 2027. Esse pensamento pode custar caro. A transição para o novo sistema tributário já está em andamento e exige decisões que não podem ser deixadas para depois. Quem esperar o último momento para agir corre o risco de descobrir, tarde demais, que faltou tempo para testar, ajustar e corrigir o que for preciso.

A partir de janeiro de 2027, entra em vigor a CBS, o novo tributo federal que substitui PIS e Cofins. Já o ICMS e o ISS vão seguir um caminho mais longo, com o sistema atual e o novo modelo funcionando lado a lado até 2032. Na prática, isso quer dizer que nenhuma empresa vai simplesmente "trocar" de sistema de um dia para o outro: você vai operar por anos com duas lógicas tributárias ao mesmo tempo. E é justamente essa convivência entre os dois sistemas que cria o maior risco de erro para o seu negócio.

Vender bem não é o mesmo que lucrar bem

Um hábito comum entre pequenas e médias empresas é acompanhar de perto quanto se vende, sem necessariamente saber quanto sobra de cada venda depois de pagar os tributos. A reforma vai escancarar essa lacuna. Com a mudança na forma como funcionam os créditos tributários, o resultado de uma operação vai depender menos da alíquota isolada e mais de como todo o negócio, custo, fornecedor, contrato e preço, se encaixa no novo sistema.

Isso significa que você vai precisar responder, produto a produto e cliente a cliente: quanto custa, o que está embutido nesse custo e qual é o efeito tributário real daquela venda. Quem olhar apenas para a alíquota vai deixar passar a parte mais importante da conta.

A escolha de fornecedores ganha peso fiscal

Um efeito pouco discutido da reforma é o quanto a escolha de fornecedores vai passar a pesar nas decisões comerciais. Como o novo sistema de créditos recompensa quem compra de fornecedores que geram os créditos esperados, as empresas vão passar a considerar, além de preço e qualidade, o impacto fiscal de cada relação comercial. Isso pode reorganizar cadeias inteiras de fornecimento: fornecedores despreparados ou fora dessa nova lógica correm o risco de perder espaço, não porque o produto piorou, mas porque a conta tributária do cliente mudou. Essa passa a ser uma decisão que envolve também a área comercial, não só o setor fiscal.

Como se preparar agora
01
Conheça a rentabilidade real de cada operação

Não olhe só para o faturamento: calcule quanto sobra de cada venda, produto a produto e cliente a cliente.

02
Reavalie sua cadeia de fornecedores

Verifique se seus fornecedores estão preparados para gerar os créditos tributários esperados no novo sistema.

03
Treine equipes e simule cenários

Não espere as regras estarem 100% fechadas: teste sistemas e prepare pessoas antes da entrada em vigor.

04
Fique atento a particularidades regionais

Se você atua em mais de um estado ou município, considere as regras específicas de cada local durante a transição.

O calendário não espera as regras ficarem prontas

Parte da regulamentação da reforma ainda está sendo construída, e é tentador esperar que tudo esteja definido para só então agir. Mas essa espera tem um custo real: reduz o tempo disponível para testar sistemas, treinar equipes e simular cenários antes que as novas regras valham de verdade. Empresas que atuam em mais de um estado ou município sentem essa pressão de forma ainda maior, porque vão lidar com particularidades regionais dentro de um sistema que também está em transição.

A experiência de quem já começou a se preparar mostra um caminho consistente: treinar equipes, orientar clientes e rodar simulações antes da entrada em vigor das regras reduz bastante as dificuldades ao longo do caminho.

Não existe uma resposta única para a pergunta "vou pagar mais ou menos imposto". O efeito da reforma varia conforme a atividade da empresa, sua estrutura, o uso de créditos e a cadeia de fornecedores. Por isso, a pergunta mais útil não é sobre a alíquota, e sim: você conhece, de verdade, a rentabilidade de cada operação do seu negócio? Lembre-se de que 2027 marca apenas o início da transição, não o fim dela, já que o processo segue até 2032, com ajustes pelo caminho. A melhor estratégia é fazer essa conta agora, enquanto ainda há tempo de corrigir a rota antes que as mudanças se tornem definitivas.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.