Reforma tributária: por que checar o fisco do fornecedor virou essencial
09/09/2026 06:193 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Uma mudança silenciosa na reforma tributária pode pesar diretamente no caixa da sua empresa: a partir do novo sistema de IBS/CBS, o crédito tributário sobre uma compra não é mais garantido só porque a nota fiscal foi emitida. Ele passa a depender de o fornecedor efetivamente pagar o imposto devido. Se isso não acontecer, quem perde o crédito é você, comprador, mesmo tendo feito tudo certo do seu lado.
Na prática, isso significa que negociar com um fornecedor que está com pendências junto ao Fisco deixa de ser apenas um risco reputacional e passa a ser um risco financeiro direto, que pode chegar a 27% do valor da operação. Um desconto que parecia vantajoso no contrato pode virar prejuízo real poucos meses depois, quando a empresa descobre que não pode aproveitar o crédito esperado.
O que muda na prática
Até aqui, o setor de compras costumava decidir com base em preço, prazo de entrega e condições comerciais. Com a nova regra, entra um critério a mais na equação: a situação fiscal do fornecedor. Isso porque, segundo Lucas Madureira, co-CEO da Gedanken, empresa especializada em tecnologia para homologação de fornecedores, o comprador passa a assumir o passivo da operação caso o parceiro não recolha o tributo devido.
O impacto cresce junto com o valor do contrato. Segundo o executivo, uma aquisição de R$ 10 milhões em insumos ou serviços pode resultar na perda imediata de R$ 2,7 milhões em créditos, caso o fornecedor não recolha o imposto. É esse tipo de conta que está levando empresas a repensar como escolhem e mantêm seus parceiros comerciais.
Quem é afetado
A mudança atinge principalmente empresas que compram insumos, produtos ou serviços de terceiros para revenda ou produção, ou seja, boa parte da indústria, do varejo e do setor de serviços que opera em contratos B2B. Quanto maior o volume de compras e o valor dos contratos, maior a exposição ao risco de perda de crédito.
É nesse contexto que ganha força a ideia de avaliar o chamado score fiscal do fornecedor: uma análise prévia da saúde tributária e do histórico de recolhimento de impostos do parceiro, antes de fechar ou renovar um contrato. Segundo Madureira, a expectativa é que esse tipo de verificação deixe de ser um detalhe do departamento contábil e passe a ser exigência obrigatória em processos de cadastramento e homologação de fornecedores.
Como se preparar
Se sua empresa depende de fornecedores para operar, vale começar a tratar a regularidade fiscal do parceiro como parte da negociação comercial, e não apenas como uma formalidade documental. Isso vale tanto para contratos novos quanto para renovações de parcerias já existentes.
Antes de fechar contrato, avalie o histórico de recolhimento de impostos do fornecedor, não só preço e prazo.
Reavalie parceiros atuais, especialmente os de contratos de maior valor, para reduzir a exposição ao risco.
A situação fiscal do fornecedor pode mudar ao longo do contrato; acompanhe periodicamente, não apenas na assinatura.
Peça orientação sobre como estruturar essa avaliação dentro da rotina fiscal da empresa.
A recomendação, segundo o especialista, é tratar essa avaliação como parte da rotina de gestão de risco da empresa, e não como uma etapa burocrática a mais. Em um cenário de margens apertadas, proteger o crédito tributário pode ser tão importante quanto negociar um bom preço com o fornecedor.
Consultar seu contador para entender como essa mudança afeta especificamente os contratos da sua empresa é o primeiro passo para se antecipar aos riscos e evitar surpresas no fechamento do caixa.
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