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Reforma Tributária 2027: por que só saber a alíquota não basta

14/09/2026 11:164 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Com 2027 se aproximando, o debate sobre a Reforma Tributária precisa mudar de foco. Nos últimos anos, muitas empresas concentraram esforços em entender como funcionam o IBS e a CBS, quais seriam as alíquotas e os possíveis impactos financeiros. Mas a CBS já vai produzir efeitos reais em 2027, e isso significa que conhecer a regra não é suficiente. Se os dados, sistemas e processos internos não estiverem ajustados, sua empresa pode calcular tudo errado mesmo sabendo exatamente como a lei funciona.

O problema começa muito antes do fechamento fiscal do mês. Um produto cadastrado com a classificação errada carrega esse erro para a nota fiscal. Uma condição comercial mal configurada altera a base de cálculo do imposto. Um dado incorreto do cliente pode mudar o tratamento tributário da operação. E quando fiscal, financeiro e contabilidade não estão conectados, cada área pode estar trabalhando com informações diferentes. Em empresas que emitem muitos documentos por mês, esse tipo de falha deixa de ser um detalhe e vira um problema em grande escala.

Cadastros antigos são um risco maior do que parecem

Toda empresa carrega decisões tomadas há anos dentro do sistema: um código de produto escolhido quando ele entrou no catálogo, uma regra de tributação copiada de outra venda, um tratamento criado para atender um cliente específico e depois replicado para vários outros. Enquanto o sistema atual continua funcionando, ninguém revisa essas escolhas a fundo. Só que, com o IBS e a CBS, um cadastro errado tende a ser reproduzido automaticamente em grande volume, porque o sistema faz exatamente o que foi programado para fazer.

Por isso, a revisão não pode se limitar a conferir códigos de produto. É preciso olhar para toda a lógica por trás dos cadastros: o destino da operação, o perfil de quem compra, a localização das partes envolvidas, a finalidade da compra e eventuais benefícios fiscais aplicáveis. O mesmo cuidado vale para cadastros de clientes, fornecedores e serviços. Uma empresa pode investir uma fortuna atualizando seu sistema de gestão e continuar calculando o imposto sobre uma classificação criada errada cinco anos atrás.

Atualizar o sistema não resolve tudo sozinho

As empresas de tecnologia estão preparando seus sistemas para a nova legislação, e isso é fundamental. Mas atualizar o software é diferente de preparar a operação. O sistema recebe os novos campos e regras de cálculo, mas continua dependendo dos parâmetros definidos pela própria empresa e da comunicação correta entre faturamento, compras, contas a pagar e a receber, contabilidade e documentos fiscais. Um erro em qualquer uma dessas etapas pode gerar um resultado tecnicamente correto no sistema, mas errado na prática.

Os testes também precisam refletir a operação real do negócio, não apenas uma venda simples. Devoluções parciais, cancelamentos, descontos, bonificações e entregas em endereços diferentes são situações que acontecem com menos frequência, mas podem movimentar valores relevantes. Além disso, o fato de uma nota fiscal ser aceita pelo sistema autorizador não garante que a classificação ou o tratamento tributário escolhido estava correto: é preciso acompanhar o que acontece depois, como o valor é contabilizado e como entra na apuração do imposto.

Fornecedores também vão pesar no seu resultado

A nova forma de calcular créditos torna os fornecedores ainda mais importantes dentro da sua operação fiscal. Mesmo com cadastros revisados e sistemas atualizados, sua empresa continuará recebendo documentos de terceiros que podem interferir diretamente no aproveitamento de créditos de IBS e CBS. Isso muda a forma como o setor de compras deve avaliar parceiros: não basta olhar preço, prazo e qualidade, é preciso saber quais fornecedores concentram valores relevantes e quais apresentam risco de gerar problemas nos créditos.

Pontos de atenção para 2027
01
Revise cadastros antigos

Verifique classificações de produtos, clientes e fornecedores que nunca foram atualizadas.

02
Teste operações reais

Simule devoluções, cancelamentos, descontos e outras situações além da venda simples.

03
Mapeie fornecedores críticos

Identifique quem concentra valores relevantes e pode gerar risco de crédito.

04
Formalize controles paralelos

Identifique planilhas e ajustes manuais que sustentam o fechamento sem ninguém perceber.

05
Revise contratos de longo prazo

Confira como cláusulas tributárias, reajustes e responsabilidades se comportam com o IBS e a CBS.

Também é preciso acompanhar o crédito depois que a nota fiscal chega na empresa: o tratamento aplicado, o pagamento, a apropriação e eventuais cancelamentos precisam estar alinhados. Se a projeção de crédito não bate com o que a operação consegue realmente aproveitar, essa diferença aparece direto no caixa da empresa.

Outro ponto sensível são as planilhas paralelas que quase toda empresa mantém para contornar limitações do sistema de gestão. Elas não são um problema em si, mas viram um risco quando ninguém sabe exatamente quem é responsável por atualizá-las ou quais ajustes manuais são feitos antes de os dados chegarem à contabilidade. Muitas empresas só conseguem fechar o mês porque um profissional experiente conhece de cor uma sequência de correções que nunca foi documentada. Com mais variáveis tributárias e mais integrações entre sistemas, essa forma de trabalh

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