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Rede D'Or: como o fundador se tornou o mais rico do setor de saúde

02/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um nome se destaca entre os bilionários brasileiros do setor de saúde: Jorge Moll Filho, fundador e presidente do conselho da Rede D'Or, com patrimônio estimado em R$ 19,9 bilhões. A história dele é um exemplo de como uma decisão pessoal, aliada a movimentos estratégicos de negócio, pode transformar um pequeno investimento em um dos maiores grupos hospitalares do país. Para você que administra uma empresa, o caso mostra como consolidação de mercado, diversificação de serviços e presença na bolsa de valores podem multiplicar o valor de um negócio ao longo de décadas.

De médico a empresário da saúde

Nascido no Rio de Janeiro, Jorge Moll Filho estudou medicina por influência do pai, embora pretendesse seguir carreira no mercado financeiro. Especializou-se em neurocirurgia e, mais tarde, concluiu doutorado pela USP. Foi na década de 1970, ao se incomodar com a falta de estrutura tecnológica disponível no Rio de Janeiro para exames cardíacos, que ele decidiu agir: criou o primeiro laboratório de diagnóstico por imagem da região e, em 1977, fundou o Grupo Labs para atender hospitais particulares.

O negócio cresceu ao longo das décadas seguintes, liderando um processo de consolidação no setor. Mas o verdadeiro divisor de águas veio de uma negociação envolvendo um hotel na Barra da Tijuca. Ao assumir a participação de um sócio que deixava o país, Moll se tornou parceiro de um empresário do setor de transportes. Nessa mesma negociação, descobriu que o novo sócio era proprietário de outro imóvel, em Copacabana, e propôs transformá-lo em hospital. Foi esse investimento que deu origem à Rede D'Or, hoje o maior grupo hospitalar privado do Brasil.

Como a Rede D'Or virou uma máquina de gerar patrimônio

Atualmente, a Rede D'Or administra cerca de 70 hospitais, com estrutura que vai do pronto-atendimento a procedimentos de alta complexidade. A empresa também diversificou suas atividades, mantendo negócios em áreas específicas da medicina, como oncologia, com uma rede de unidades espalhadas pelo país.

Desde 2020, a companhia está listada na B3, com ações negociadas sob o código RDOR3, e em 2026 passou a integrar o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. Essa presença no mercado de capitais é o que diferencia a trajetória de Moll de outros grandes empresários do país: sua fortuna está diretamente ligada à valorização das ações da empresa, e não apenas ao lucro operacional do negócio.

Rede D'Or em números
R$ 89,6 bivalor de mercado em 2025Resultado de um dos maiores grupos hospitalares privados do país.
R$ 4,84 bilucro em 2025Desempenho que sustenta a valorização das ações na bolsa.
50,2%participação da família MollEquivalente a 1,12 bilhão de ações, em junho de 2026.

Essa participação majoritária significa que qualquer variação no desempenho da Rede D'Or afeta diretamente a riqueza da família. Em 2026, a companhia distribuiu R$ 750 milhões em juros sobre capital próprio aos acionistas, reforçando o peso da empresa listada em bolsa na composição do patrimônio dos controladores.

O que esse caso ensina sobre gestão e sucessão

A família Moll segue no comando da empresa: Jorge Moll Filho preside o Conselho de Administração, enquanto Paulo Junqueira Moll ocupa o cargo de CEO. A ex-esposa do fundador, Alice Junqueira Moll, e os cinco filhos do casal também são acionistas relevantes, o que mostra como o patrimônio se distribuiu dentro da estrutura familiar mesmo com a empresa aberta ao mercado.

Para empresários e gestores, a trajetória de Moll reforça um ponto importante: crescimento sustentável combina aproveitar oportunidades pontuais, como a negociação do hotel que se tornou hospital, com decisões estruturais de longo prazo, como a diversificação de serviços e a entrada na bolsa de valores. Empresas que conseguem equilibrar esses dois movimentos tendem a construir valor de forma mais consistente, seja qual for o setor em que atuam.

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