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Recuperação judicial do Habib's: o que muda para clientes e fornecedores

26/08/2026 19:123 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Grupo Habib's, dono das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. No processo, a empresa declarou dívidas que somam R$ 265,2 milhões. A decisão foi tomada pelo juiz Jomar Juarez Amorim, que também definiu a KPMG como responsável por acompanhar e fiscalizar o processo. Para quem é fornecedor, franqueado ou parceiro comercial do grupo, entender o que acontece a partir de agora é essencial para se proteger e planejar os próximos passos.

O que muda

Com a recuperação judicial aprovada, o grupo ganha uma proteção legal importante: as ações judiciais e execuções movidas por credores contra as empresas envolvidas ficam suspensas. Na prática, isso significa que, por enquanto, ninguém pode cobrar essas dívidas na Justiça ou tentar bloquear bens da empresa. O juiz também determinou que os credores não podem simplesmente cortar contratos com o grupo só porque ele entrou em recuperação judicial, uma garantia importante para manter a operação funcionando.

Por outro lado, nem tudo foi atendido como a empresa pedia. A Justiça negou um pedido específico do grupo: a liberação de recebíveis bancários que haviam sido dados como garantia em operações financeiras. Isso indica que, mesmo com a recuperação judicial em andamento, alguns compromissos assumidos anteriormente continuam valendo integralmente.

Quem é afetado

O processo não envolve apenas a marca Habib's isoladamente. Ao todo, 178 empresas ligadas ao Grupo Gennius, controlador das marcas citadas, fazem parte da recuperação judicial, além dos sócios Alberto Saraiva e Belchior Saraiva, que também foram incluídos no processo. Isso mostra a dimensão da reestruturação: não se trata de uma unidade ou de uma marca específica, mas de uma rede grande de empresas conectadas ao grupo.

Em nota, o Grupo Habib's afirmou que a medida faz parte de uma reestruturação financeira e reforçou que as operações seguem normais, com atendimento aos clientes mantido nas unidades. A empresa também destacou sua trajetória de quase 40 anos no mercado brasileiro e disse manter o compromisso com a continuidade do negócio.

O caso em números
R$ 265,2 milhõestotal de dívidas declaradasvalor apresentado pelo grupo no pedido de recuperação judicial.
178empresas incluídaspessoas jurídicas ligadas ao Grupo Gennius fazem parte do processo.
60 diasprazo para o planotempo que o grupo tem para apresentar sua proposta de recuperação à Justiça.

Entre os motivos apontados pelo próprio grupo para justificar a dificuldade financeira estão os efeitos da pandemia de Covid-19, a mudança no comportamento dos consumidores com o crescimento do delivery e o aumento dos juros, que encareceu tanto a captação de novos recursos quanto a renovação de dívidas já existentes. São fatores que têm afetado diversos negócios do setor de alimentação nos últimos anos, mas que, no caso do Habib's, se somaram a ponto de exigir essa medida judicial.

Prazos e próximos passos

Agora, o grupo tem 60 dias para apresentar à Justiça seu plano de recuperação judicial, documento que vai detalhar como pretende pagar as dívidas e reorganizar suas finanças ao longo do tempo. Esse plano ainda precisará ser avaliado e, eventualmente, aprovado pelos credores e pela Justiça, então o processo tende a se estender por um período mais longo além desse prazo inicial.

Para empresários que têm relação comercial com o Grupo Habib's, seja como fornecedor, franqueado ou parceiro, o momento pede atenção redobrada aos contratos vigentes e às comunicações oficiais da empresa. Como as unidades seguem funcionando normalmente, segundo o próprio grupo, não há motivo para pânico imediato, mas é recomendável acompanhar de perto a publicação do plano de recuperação judicial e avaliar, com apoio contábil e jurídico, os impactos específicos em cada relação comercial mantida com o grupo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.