Pular para o conteúdo
VoltarEmpresarial

Recuperação judicial de gigante avícola argentino: o que isso muda para o setor

25/09/2026 04:583 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Um dos maiores grupos avícolas da Argentina, a Granja Tres Arroyos, entrou com pedido de recuperação judicial. A empresa, que fazia parte de um conglomerado familiar com décadas de história, enfrentava havia mais de um ano uma crise financeira grave, com queda nas exportações, dívidas bilionárias e negociações com credores que não avançaram. O caso é relevante para quem negocia com fornecedores argentinos, atua no comércio exterior de proteína animal ou simplesmente acompanha os riscos de grandes cadeias produtivas internacionais.

O que aconteceu

A Granja Tres Arroyos era o principal negócio de um grupo formado também pelas empresas Wade e Avex, todas ligadas à família De Grazia. Juntas, essas sociedades chegaram a operar oito unidades de abate, responder por mais de 20% da produção avícola argentina e exportar para mais de 60 países, com faturamento na casa de US$ 1,3 bilhão em seu auge. Esse porte, no entanto, não foi suficiente para blindar o grupo de uma sequência de problemas que se acumularam nos últimos dois anos.

O gatilho mais direto veio de fora: a China, um dos principais compradores de frango argentino, fechou as importações do produto em 2023 após um surto de influenza aviária no país. A reabertura parcial do mercado chinês em 2025 não foi suficiente para recompor o volume de vendas perdido, e a empresa precisou redirecionar exportações para outros destinos, com menor rentabilidade. Esse tipo de dependência de um mercado externo específico é um risco que qualquer empresa exportadora, brasileira inclusive, precisa monitorar de perto.

Diante da queda nas vendas externas, o grupo iniciou, no fim de 2024, um processo de corte de custos, concentração de operações e ajuste da estrutura produtiva. A tentativa não foi suficiente para reverter a deterioração financeira. As empresas chegaram a negociar com credores uma reestruturação de US$ 350,9 milhões, propondo descontos de até 75% nas dívidas, prazos de pagamento de até sete anos e a entrada de novos investidores, além da venda de ativos considerados não estratégicos. A proposta não avançou.

A dimensão da crise financeira
R$ 312,12 milhõesem cheques devolvidossó a Granja Tres Arroyos acumula mais de 5.700 cheques sem cobertura.
R$ 110,84 milhõesdívida bancáriavalor que supera a capacidade de pagamento atual da empresa.
8 pedidosde falênciaapresentados contra a sociedade antes da recuperação judicial.
1.730 trabalhadoresdesligadosentre Buenos Aires e Entre Ríos, além de unidades paralisadas.

Quem é afetado

A crise não ficou restrita à empresa principal. A Wade, que havia incorporado os ativos da antiga Cresta Roja, e a Avex, também parte do grupo, acumularam cheques devolvidos em valores expressivos. Além do impacto financeiro, a situação já vinha se refletindo diretamente na operação: houve programas de desligamento voluntário, aposentadorias antecipadas, redução temporária de salários e a paralisação de unidades produtivas em diferentes localidades.

Para empresas brasileiras que compram insumos, negociam contratos de exportação ou dependem de fornecedores do setor avícola argentino, esse tipo de evento reforça a importância de diversificar parceiros comerciais e acompanhar de perto a saúde financeira de fornecedores estrangeiros. Uma crise dessa magnitude, mesmo fora do Brasil, pode gerar efeitos em cadeia sobre preços internacionais e disponibilidade de produto no mercado externo.

Como se preparar

Se o seu negócio tem qualquer relação comercial com o setor avícola argentino, seja como comprador, fornecedor ou concorrente em mercados de exportação, vale reavaliar contratos em andamento e buscar alternativas de fornecimento caso dependa diretamente dessas empresas. Também é um bom momento para revisar a exposição da sua cadeia de suprimentos a riscos geopolíticos e sanitários, já que foi justamente o fechamento de um mercado externo por questões sanitárias que deu início à deterioração financeira do grupo.

O caso da Granja Tres Arroyos é um lembrete prático de que mesmo grandes grupos, com décadas de operação e presença em dezenas de mercados, não estão imunes a choques externos combinados com dificuldades internas de reestruturação. Para gestores brasileiros, a lição que fica é a de monitorar constantemente a saúde financeira de parceiros comerciais estratégicos, sobretudo aqueles concentrados em mercados de exportação sensíveis a fatores sanitários e políticos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.