Miguel Krigsner: como o fundador do Boticário construiu bilhões
03/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma pequena farmácia de manipulação aberta em Curitiba em 1977 deu origem a um dos maiores grupos de beleza do mundo. Miguel Gellert Krigsner, farmacêutico formado pela Universidade Federal do Paraná, ocupa hoje a 8ª posição entre os brasileiros mais ricos segundo a Forbes Brasil, com patrimônio estimado em R$ 35,7 bilhões. Para você que empreende, a trajetória dele funciona como um estudo de caso sobre como um negócio pequeno pode se reinventar várias vezes até virar uma potência de mercado.
Uma farmácia que virou indústria de beleza
Krigsner nasceu na Bolívia, filho de judeus que fugiram do nazismo, e se mudou para Curitiba aos 11 anos. Depois de se formar em Farmácia e Bioquímica, abriu sua própria farmácia de manipulação em 1977, batizada de O Boticário em referência aos antigos farmacêuticos artesanais. O negócio mudou de rumo quando ele percebeu que a maioria de suas clientes eram mulheres interessadas em produtos de cuidados pessoais, não apenas em medicamentos. Foi assim que, nos fundos da farmácia, começou a preparar cremes faciais artesanais, misturando ingredientes como algas marinhas e colágeno em uma batedeira de bolos.
Esse tipo de decisão, prestar atenção ao que o cliente realmente procura e adaptar o negócio a essa demanda, é um dos primeiros aprendizados práticos da história. Muitas empresas nascem com um propósito e só crescem de verdade quando o fundador enxerga uma oportunidade diferente da que originalmente planejou.
A aposta nas franquias e a virada de escala
O salto de tamanho do negócio veio com a decisão de expandir por meio de franquias, modelo ainda pouco comum no Brasil na época. Krigsner foi um dos pioneiros nessa estratégia, o que permitiu multiplicar a presença da marca sem precisar montar e administrar sozinho cada nova loja. Essa escolha ajudou O Boticário a se tornar a maior rede de franquias do país, hoje com cerca de 3.700 lojas e presença em outros 15 países, além de posição de liderança no mercado brasileiro de perfumaria.
Para empresários que pensam em crescer, o caso mostra que multiplicar a operação nem sempre exige capital próprio ilimitado: parcerias bem estruturadas, como o franchising, podem ser um caminho viável para ganhar escala mantendo o controle da marca.
De uma marca para um grupo com várias frentes
Outro momento decisivo aconteceu em 2010, quando Krigsner, ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, transformou a empresa em uma plataforma multimarcas: o Grupo Boticário. Hoje o grupo reúne marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult, O.U.i e Beleza na Web, além da marca original, cada uma atuando em diferentes faixas de preço e perfis de consumidor. Essa diversificação permitiu à empresa alcançar públicos que uma única marca jamais conseguiria sozinha.
Com a companhia mais madura, Krigsner também mudou seu próprio papel: deixou a gestão executiva do dia a dia para se dedicar à estratégia de longo prazo, hoje na presidência do Conselho do Grupo Boticário. Ele também diversificou pessoalmente seus investimentos, participando da Cia. Tradicional de Comércio, responsável por redes de bares e restaurantes conhecidas em São Paulo, como Pirajá, Lanchonete da Cidade e Bráz Pizzaria.
Legado que vai além dos negócios
Krigsner também constitiu iniciativas fora do universo estritamente comercial. Em 1990 criou a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, voltada à conservação ambiental, e em 2004 fundou o Instituto Grupo Boticário, com foco em projetos sociais e culturais. Ele preside o Conselho Curador da fundação ambiental, mostrando que a preocupação com impacto socioambiental fez parte da construção do grupo desde muito antes de esse tema se tornar padrão nas empresas. Em 2025, ele também venceu o Prêmio Jabuti na categoria Negócios com o livro "A Essência de Empreender".
A trajetória de Krigsner reforça uma lição prática para quem toca um negócio hoje: crescimento sustentável raramente vem de uma única grande jogada. Vem de decisões sucessivas, ler as necessidades do cliente, testar modelos de expansão, diversificar quando a empresa amadurece e, eventualmente, saber transferir a gestão do dia a dia para se dedicar à visão de longo prazo. Foi essa sequência de reinvenções, e não um único golpe de sorte, que levou uma pequena farmácia de Curitiba a se tornar um dos maiores grupos de beleza do mundo.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
