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Quem é Pedro Moreira Salles, copresidente do Itaú e 6º mais rico do Brasil

02/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Pedro Moreira Salles é hoje a sexta pessoa mais rica do Brasil, segundo a lista de bilionários de 2026 da Forbes, com patrimônio estimado em R$ 46,6 bilhões. No ranking anterior, ele aparecia na sétima posição, com R$ 38 bilhões. Copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, ele é uma das figuras mais influentes do sistema financeiro brasileiro, mas sua história tem uma trajetória pessoal que foge do óbvio para quem nasceu em uma das famílias mais ricas do país.

Uma formação fora do roteiro tradicional

Filho de Walther Moreira Salles, o banqueiro e diplomata que ergueu o império financeiro da família, Pedro nasceu em Washington, em 1959, e passou a infância entre países diferentes. Viveu na França, foi alfabetizado em francês e, de volta ao Rio de Janeiro, estudou no Liceu Franco-Brasileiro. Fez Economia na PUC-Rio e depois seguiu para os Estados Unidos, onde se formou também em História pela UCLA e iniciou um mestrado em Relações Internacionais em Yale. Foi durante uma visita ao Brasil, em 1982, que ele se envolveu com a redemocratização do país e decidiu ficar, o que mudou o rumo de sua carreira.

Antes de assumir qualquer cargo de comando nos negócios financeiros da família, Pedro passou por uma etapa prática: em 1983, foi enviado à Fazenda Cambuhy, no interior de São Paulo, para reorganizar a gestão do agronegócio familiar. Só depois, em 1985, voltou a São Paulo para cuidar da holding Brasil Warrant junto com o irmão mais velho, Fernando. Nessa época, o patrimônio da família já era bem mais diversificado do que sugeria o nome Unibanco, com participações em mineração, celulose e até no Club Med.

Da consolidação bancária à fusão que criou o Itaú Unibanco

A entrada de Pedro no conselho do Unibanco, em 1989, coincidiu com uma fase de grandes mudanças no sistema financeiro brasileiro. Ele participou de perto da consolidação do setor, coordenando em 1995 a compra dos ativos do Banco Nacional após a intervenção do Banco Central, uma das operações mais marcantes daquele período. Em 1997, assumiu a presidência do conselho do Unibanco e, em 2004, tornou-se CEO da instituição, cargo que ocupou até 2008.

Foi justamente em 2008 que aconteceu o movimento que redefiniria sua trajetória e o mercado bancário nacional: a fusão entre Itaú e Unibanco, que criou o maior banco privado do Brasil. Pedro teve participação direta nas negociações e, a partir de 2009, assumiu a presidência do conselho do novo grupo. Em 2017, passou a dividir a copresidência com Roberto Setubal, formato que representava bem o espírito da fusão, uma união entre dois grupos e não a absorção de um pelo outro. Nesse mesmo ano, as famílias Moreira Salles e a Itaúsa também se uniram para avançar sobre a Alpargatas, dona da Havaianas.

A trajetória em números
R$ 46,6 bipatrimônio estimado6ª posição no ranking de bilionários brasileiros de 2026.
44%participação na E. JohnstonVeículo que controla cerca de um terço das ações do Itaú Unibanco.
66 anosidade atualDécadas de atuação à frente de bancos, holdings e conselhos.

Concentração de poder e nova transição geracional

Além do cargo no Itaú Unibanco, Pedro acumula posições de comando em outros ativos do grupo: é presidente dos conselhos da CBMM e da Companhia E. Johnston de Participações, além de ter presidido o conselho da Alpargatas até recentemente. Também é vice-presidente do conselho da Brasil Warrant e sócio copresidente da Cambuhy Investimentos. Entre 2017 e 2022, ainda presidiu o conselho diretor da Febraban, reforçando sua influência sobre o setor bancário como um todo.

Uma reestruturação concluída em 2022 mudou a distribuição de poder dentro da própria família. Pedro comprou parte da participação dos irmãos na E. Johnston, empresa que controla cerca de um terço das ações do Itaú Unibanco, e passou a deter 44% dela. Seu filho, João Moreira Salles, ficou com 6%. Essa movimentação concentrou nas mãos de Pedro uma fatia maior do principal veículo acionário da família e fortaleceu seu papel na sucessão do patrimônio construído por Walther, seu pai.

Essa sucessão já começou a se materializar. Em fevereiro de 2026, João Moreira Salles assumiu a presidência do conselho de administração da Alpargatas, no lugar deixado por Pedro após sua renúncia. O motivo da saída chama atenção: Pedro decidiu passar a morar nos Estados Unidos para atuar como professor adjunto na Universidade Columbia, retornando ao ambiente acadêmico americano após décadas dedicadas à gestão de bancos, mineradoras, holdings e de uma das maiores fortunas do Brasil.

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