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Programa Confia: o que é e como pode beneficiar grandes empresas

28/10/2026 06:313 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Receita Federal · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Receita Federal participou de um seminário internacional na Guatemala para apresentar o Programa Confia, iniciativa que vem sendo tratada como modelo de referência mundial em conformidade tributária cooperativa. Embora o encontro tenha reunido principalmente administrações tributárias de vários países, o assunto interessa diretamente a empresários e gestores de grandes empresas, já que o programa muda a forma como o Fisco brasileiro se relaciona com os maiores contribuintes do país.

Na prática, o Programa Confia propõe uma mudança de postura: em vez de focar em fiscalizações pontuais e processos demorados, a Receita Federal passa a construir uma relação de confiança com as empresas, baseada em transparência, diálogo constante e prevenção de problemas fiscais antes que eles se tornem litígios. Isso significa que empresas que aderem ao modelo podem resolver questões tributárias complexas de forma mais rápida e com mais previsibilidade.

O que muda na relação com o Fisco

Um dos pontos centrais apresentados pela Receita Federal é o chamado Marco de Controle Fiscal, um modelo que avalia a maturidade da governança tributária das empresas. Em vez de o Fisco auditar transação por transação, passa a existir um questionário de autoavaliação em que a própria empresa demonstra como organiza seus controles internos e como gerencia riscos fiscais. Quanto mais sólida for essa governança, mais a empresa se beneficia de um relacionamento colaborativo com a Receita.

Outro destaque é o uso da norma ABNT NBR 17.301 como referência para estruturar sistemas de compliance dentro das empresas. Essa norma permite que as companhias sejam certificadas, funcionando como um selo que comprova a qualidade dos mecanismos de controle interno. Na prática, isso pode facilitar a emissão de certidões, reduzir riscos de autuações e tornar o relacionamento com o Fisco mais previsível.

Quem é afetado

O Programa Confia é direcionado principalmente aos maiores contribuintes do país, empresas de grande porte que já têm estruturas de governança mais desenvolvidas. Durante o seminário, representantes de multinacionais como Repsol, Anglo American e Huawei participaram das discussões, e a CFO da Repsol Sinopec Brasil, Gilberta Lucchesi, apresentou a visão do setor privado sobre os ganhos do programa: mais segurança jurídica, menos incertezas e um ambiente de negócios mais estável.

Se sua empresa está entre os grandes contribuintes acompanhados pela Receita Federal, vale entender como funciona a adesão ao programa e quais estruturas internas de governança e compliance precisam estar em dia para participar. Empresas menores não são o foco direto do Confia, mas a tendência de maior transparência e diálogo com o Fisco tende a se espalhar como referência para outras iniciativas futuras.

Benefícios já observados no Programa Confia
Resolução antecipadade questões tributárias complexasevita que problemas se arrastem em disputas longas.
Menos litígiosredução de disputas fiscaisdiálogo direto reduz a necessidade de processos judiciais.
Mais previsibilidadesegurança jurídicafacilita planejamento tributário e decisões de negócio.

Como se preparar

Para empresas que querem se beneficiar desse tipo de relacionamento com o Fisco, o caminho passa por investir em governança tributária sólida. Isso inclui ter processos internos bem documentados, mecanismos claros de identificação e gestão de riscos fiscais, e disposição para participar de fóruns de diálogo com a administração tributária. Quanto mais transparente e organizada for a gestão fiscal da empresa, maior a chance de acessar tratamentos mais favoráveis dentro do programa.

A Receita Federal também está desenvolvendo indicadores estratégicos para medir os resultados do Confia, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Universidade de Viena. Isso sugere que o programa deve ganhar ainda mais estrutura e critérios objetivos nos próximos anos, tornando ainda mais relevante que grandes empresas acompanhem de perto essa evolução.

Na prática, o recado para empresários e gestores é claro: a conformidade cooperativa veio para ficar e tende a se consolidar como caminho preferencial na relação entre Fisco e contribuintes de grande porte. Quem já começar a adaptar seus controles internos e sua governança tributária a esse modelo sai na frente, com mais segurança jurídica e menos exposição a riscos fiscais.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.