Produção de ração animal cresce no Brasil: o que isso significa para o setor
28/10/2026 17:393 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você trabalha com produção animal, insumos agrícolas ou está de olho na demanda por milho e soja, um dado recente merece atenção: a produção de ração animal no Brasil cresceu 4,2% no primeiro semestre deste ano, chegando a 45,2 milhões de toneladas. O número foi divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e serve como um termômetro importante para quem acompanha o agronegócio de perto.
Esse crescimento não é uniforme entre os segmentos. A avicultura de corte, ou seja, a produção voltada para frangos destinados ao abate, foi a grande responsável pelo avanço, impulsionada pelas exportações recordes de carne de frango. Já a suinocultura também cresceu com força, beneficiada pelas vendas externas de carne suína, mesmo enfrentando um problema interno de excesso de oferta de animais. Por outro lado, a avicultura de postura, aquela voltada para a produção de ovos, contribuiu menos para esse resultado.
O que explica o crescimento
A produção de ração para frangos de corte somou 19,9 milhões de toneladas no semestre, um aumento de 5,3% em relação ao ano anterior. Isso representa quase 44% de toda a ração produzida no país nesse período, o maior peso entre todos os segmentos. Segundo o Sindirações, esse foi o principal motor do crescimento geral do setor, muito puxado pelo bom desempenho das exportações de frango.
Na suinocultura, a produção de ração cresceu 5,4%, totalizando 11,2 milhões de toneladas. Aqui também as exportações de carne suína tiveram papel decisivo. Mas atenção: o CEO do Sindirações, Ariovaldo Zani, chamou atenção para um ponto importante. Mesmo com recordes de exportação, o setor convive com sobreoferta de animais, o que pode pressionar preços e margens de quem produz.
Por que isso importa para quem está fora da granja
Mesmo que você não trabalhe diretamente com criação de animais, esse dado tem efeito indireto sobre o seu negócio se ele depende de milho, soja ou derivados desses grãos. A produção de ração é um dos principais usos desses insumos no país, então um crescimento nesse setor normalmente indica aumento na demanda por essas commodities, o que pode influenciar preços e disponibilidade ao longo da cadeia.
Outro ponto de atenção levantado pelo Sindirações é que o crescimento em volume não significa necessariamente mais lucro para quem produz. Zani destacou que, no caso dos frangos, a expansão da produção convive com pressão sobre a remuneração dos produtores. Ou seja, produzir mais nem sempre se traduz em ganhar mais, um alerta importante para quem está na ponta da cadeia produtiva e sente na prática os efeitos de custos e margens apertadas.
A entidade também citou outros desafios que afetam segmentos específicos, como a piora nas condições de troca na produção de ovos, mudanças no ciclo da pecuária bovina e a concorrência de produtos lácteos importados. São sinais de que, apesar do resultado positivo no total, o cenário dentro do setor é bem mais variado e exige atenção redobrada conforme o segmento em que você atua.
Se o seu negócio tem relação com produção animal, fornecimento de insumos ou logística agrícola, vale acompanhar de perto esses números nos próximos meses. Eles ajudam a entender se a demanda por milho e soja deve seguir aquecida, se as exportações de proteína animal vão continuar sustentando o crescimento e em quais frentes pode haver mais pressão sobre custos e rentabilidade.
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