Por que o Ibovespa caiu e o dólar oscilou após a eleição
28/10/2026 19:043 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado financeiro brasileiro viveu mais um dia de instabilidade nesta quarta-feira (28). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, caiu 2,68% e fechou no menor nível desde agosto. Já o dólar teve um dia de muita oscilação, mas terminou praticamente estável, cotado a R$ 5,3466. Para quem administra uma empresa, esse cenário importa porque afeta o custo do crédito, o preço de insumos importados e a confiança geral para investir.
Essa é a terceira sessão seguida de ajustes na Bolsa depois do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo especialistas do mercado, os investidores ainda estão reposicionando suas apostas após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o principal fator de preocupação agora é a política fiscal do novo governo, ou seja, como o Brasil vai equilibrar gastos e receitas públicas nos próximos anos.
O que está pressionando o mercado
Até o momento, nenhuma sinalização positiva sobre o rumo fiscal do país foi divulgada, segundo avaliação de profissionais do setor financeiro. Isso gera dúvidas sobre se o Banco Central vai conseguir continuar cortando os juros no futuro, algo que seria positivo para empresas que dependem de crédito para crescer ou para pagar dívidas. Quanto mais incerteza fiscal, maior tende a ser a cautela dos investidores, e isso se reflete diretamente nos preços das ações e no câmbio.
O noticiário político também teve peso nesta quarta-feira. O senador Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial, viajou para os Estados Unidos após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar seu passaporte. Ele é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Esse episódio alimentou receios de atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos, o que também pode influenciar o comportamento do dólar.
No cenário internacional, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros americana na faixa de 3,75% a 4%, adiando qualquer mudança até depois das eleições de meio de mandato por lá. Decisões como essa afetam o fluxo de dinheiro entre países e, consequentemente, o valor do dólar no Brasil.
Empresas que sentiram o impacto
Alguns setores específicos tiveram desempenho que merece atenção de quem acompanha o mercado. O Santander Brasil viu suas ações caírem quase 6% depois de anunciar queda de 28% no lucro do terceiro trimestre, puxada por maior cautela com calotes e piora na rentabilidade. Já o Bradesco teve recuperação de quase 7%, mesmo após um banco de investimentos reduzir sua recomendação para o papel. Outros grandes bancos, como Itaú, Banco do Brasil e BTG Pactual, também fecharam o dia no vermelho.
No setor de commodities, a Vale recuou mesmo com alta do minério de ferro na China, e a Petrobras teve leve queda enquanto o mercado aguardava a divulgação de seus números de produção e vendas. Já a Klabin, fabricante de papel e celulose, sofreu com aumento de custos ligados a efeitos climáticos e à valorização do real, reportando queda de 18% no lucro. Do lado positivo, a Hypera subiu após anunciar recompra de ações e crescimento de 16% no lucro, impulsionado também pelas vendas de um medicamento para emagrecimento.
O que isso significa para o seu negócio
Para empresários e gestores, esse momento de volatilidade reforça a importância de acompanhar de perto o câmbio e os juros, especialmente se o seu negócio depende de insumos importados, tem dívidas atreladas a taxas variáveis ou planeja investimentos de médio prazo. A incerteza fiscal tende a manter os juros altos por mais tempo, o que encarece o crédito e pode frear a expansão de empresas que dependem de financiamento. Fique atento aos próximos sinais do governo sobre o rumo das contas públicas, pois eles tendem a direcionar o comportamento do dólar e da Bolsa nas próximas semanas.
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