Por que o Ibovespa caiu e o que isso significa para juros e empresas
03/11/2026 14:083 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve uma queda expressiva nesta terça-feira (3), no primeiro pregão após o feriado. Por volta das 14h, o índice recuava 1,65%, aos 165.153,88 pontos. Mais chamativo ainda: nos últimos cinco pregões, desde o resultado do segundo turno das eleições, a Bolsa acumulou perda de 18,12%, um tombo que se aproxima do registrado em março de 2020, no início da pandemia. Para quem administra uma empresa, esse movimento é um termômetro importante: ele sinaliza como investidores enxergam os riscos para a economia brasileira nos próximos anos, e isso tem relação direta com o custo do crédito e com os juros que impactam o seu negócio.
O que está pressionando o mercado
Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a queda da Bolsa está ligada à expectativa para a próxima reunião do Copom, o comitê do Banco Central que define a taxa Selic. A expectativa é que os juros sejam mantidos em 13,75% ao ano. Para Teles, a falta de sinalizações do governo sobre quem vai comandar a equipe econômica e qual será o rumo da política fiscal aumenta a desconfiança do mercado e afasta investidores estrangeiros, que buscam segurança antes de trazer dinheiro para o país.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o comando do Banco Central. Segundo ele, as nomeações seguem critérios técnicos e consideram diferentes perfis. Enquanto esse cenário não se define, o mercado trabalha com mais incerteza, o que tende a manter os juros em um patamar elevado por mais tempo.
Juros revisados para cima até 2027
O Boletim Focus, pesquisa que reúne as projeções de analistas do mercado financeiro e é divulgado semanalmente, trouxe uma mudança relevante nesta terça-feira. A projeção para a Selic no final de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Já para o fim de 2027, a estimativa passou de 11,75% para 12,50%. Isso significa que o mercado está apostando em juros mais altos e por mais tempo do que imaginava antes da eleição.
André Matos, CEO da MA7 Capital, explica que, antes da eleição, o mercado projetava juros menores mesmo com inflação mais alta, porque apostava em um resultado eleitoral que abriria espaço para um ajuste nas contas públicas. "O primeiro Focus depois da eleição mostra que o mercado abandonou o cenário de ajuste fiscal que vinha precificando", afirma. Para ele, sem um sinal fiscal claro do governo, não seria surpresa se a Selic terminasse 2027 entre 13,75% e 14,5%, um patamar bem mais alto do que o previsto anteriormente.
O que precisaria mudar para os juros caírem
Na avaliação de Matos, para que a Selic recue a 10% em 2028, o governo precisaria reverter o déficit primário (quando os gastos públicos superam a arrecadação) e apresentar uma trajetória confiável de resultados positivos crescentes nas contas públicas. Isso exigiria rever despesas obrigatórias e benefícios tributários, com a meta de alcançar um superávit próximo de 2% do PIB, patamar considerado necessário para estabilizar a dívida pública brasileira.
Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, afirma que o mercado já está se desfazendo de posições por preocupação com os rumos da política fiscal. Segundo ele, a ideia de forçar uma redução de juros para aliviar o peso da dívida pública causa desconforto, principalmente entre investidores estrangeiros, que enxergam esse caminho como um sinal ruim para a economia.
Para o seu negócio, o recado prático é claro: juros mais altos por mais tempo significam crédito mais caro, financiamentos mais pesados e um ambiente de maior cautela para investimentos. Vale a pena revisar o planejamento financeiro da empresa considerando esse cenário de Selic elevada ainda em 2026 e 2027, evitar endividamento desnecessário e acompanhar de perto as próximas definições do governo sobre a equipe econômica, já que elas tendem a influenciar diretamente o custo do dinheiro nos próximos anos.
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