Por que o Ibovespa caiu e o dólar subiu com ações do Bradesco em queda
29/10/2026 18:154 min de leituraAtualizado há 4 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Se você acompanha o mercado financeiro para tomar decisões de investimento ou entender o cenário econômico que afeta seu negócio, a semana trouxe sinais que merecem atenção. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda pela quarta vez seguida nesta quinta-feira, ficando abaixo da marca de 170 mil pontos. Ao mesmo tempo, o dólar subiu e se aproximou de R$ 5,39. Por trás desses movimentos estão preocupações com bancos, resultados de empresas e, principalmente, dúvidas sobre os rumos da economia no próximo governo.
O que aconteceu na bolsa e no câmbio
O Ibovespa caiu 1,06%, encerrando o dia em 169.186 pontos, depois de ter chegado a cair ainda mais e depois recuperar parte da perda ao longo do pregão. O grande destaque negativo foi o Bradesco, cujas ações caíram mais de 3,5% após três grandes bancos de investimento (JPMorgan, UBS BB e Itaú BBA) reduzirem suas recomendações e cortarem o preço-alvo das ações do banco. A Ambev também pesou no índice, com queda de 4,4%, mesmo tendo apresentado lucro acima do esperado: o problema, segundo analistas, foi o crescimento fraco nas vendas de cerveja no Brasil.
Do lado cambial, o dólar fechou em alta de 0,76%, cotado a R$ 5,3875, após chegar a subir mais de 1,5% durante o dia. O movimento tem explicação em dois fatores: lá fora, a moeda americana se fortaleceu contra moedas de outros países emergentes; aqui dentro, cresce a incerteza sobre como será conduzida a política fiscal do governo que assume em 2027, já que ainda não há definição sobre nomes para áreas-chave, como o Ministério da Fazenda.
Por que isso importa para o seu negócio
Esses movimentos não são só números de mercado: eles refletem a percepção de investidores sobre o risco de fazer negócios no Brasil. Segundo um gestor de investimentos ouvido na reportagem original, o mercado não está mais "vendendo o Brasil em bloco": agora, separa empresas mais dependentes de crédito e juros domésticos (que sofrem mais) das exportadoras e negócios mais defensivos (que resistem melhor). Isso significa que, dependendo do setor em que sua empresa atua, o impacto da instabilidade pode ser bem diferente.
Um dado que ajuda a entender a cautela do mercado é a dívida pública do país. De acordo com o Banco Central, a dívida bruta do Brasil chegou a 82,93% do PIB em setembro, o maior nível em mais de cinco anos. Esse número reforça a preocupação dos investidores com as contas públicas e ajuda a explicar por que os juros de longo prazo seguem subindo, mesmo com a taxa básica (Selic) relativamente estável no curto prazo.
O cenário externo também contribui para a cautela. Nos Estados Unidos, dados de inflação (o índice PCE, medida acompanhada de perto pelo banco central americano) vieram mais altos que o esperado, o que reforça a expectativa de juros elevados por lá. Isso costuma reduzir o apetite de investidores por aplicações em países emergentes como o Brasil, o que ajuda a pressionar tanto a bolsa quanto o câmbio por aqui.
Entre as empresas, o desempenho foi bem desigual. A Petrobras recuou levemente, mesmo tendo batido recorde de produção de petróleo, superando uma meta que só era esperada para 2028. Já a Gerdau se destacou em alta, impulsionada por uma avaliação mais otimista de analistas. No lado negativo, a Minerva teve forte queda, enquanto a Vale também recuou, mesmo com a expectativa positiva para seu resultado trimestral. Esses exemplos mostram como, mesmo em um dia de bolsa em queda, setores e empresas específicas podem andar na direção contrária.
Como ler esse cenário na prática
Para você, empresário ou gestor, o recado principal é: a instabilidade no câmbio e na bolsa está diretamente ligada à falta de clareza sobre a política econômica do próximo governo. Enquanto não houver definição sobre a equipe econômica e sobre como as contas públicas serão controladas, é provável que o dólar continue sensível a notícias políticas e os juros de longo prazo sigam pressionados. Isso afeta o custo de crédito, o planejamento de investimentos e até decisões de compra de insumos importados. Ficar de olho nos próximos anúncios sobre a equipe econômica e sobre medidas fiscais pode ajudar você a antecipar movimentos no câmbio e no crédito, e ajustar o planejamento financeiro do seu negócio com mais segurança.
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