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Por que ações de bancos e varejo caíram mais na Bolsa após a eleição

27/10/2026 16:214 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

A Bolsa brasileira teve um dos piores dias de sua história recente logo após a eleição. Em um único pregão, as empresas listadas na B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado, uma queda de quase 13% em relação ao fechamento anterior. Mas o dado mais importante para quem administra uma empresa não é o tamanho da perda, e sim onde ela se concentrou: negócios que dependem de crédito, juros baixos e consumo interno levaram o maior prejuízo, enquanto empresas exportadoras, favorecidas pela alta do dólar, sofreram menos.

Esse movimento não é só um número de mercado financeiro distante da realidade de quem empreende. Ele é um termômetro de como os investidores enxergam o custo do dinheiro e o ritmo da economia nos próximos anos. Quando o mercado reage assim, é porque passou a exigir mais retorno para aceitar o risco de investir no Brasil, o que tende a se refletir, mais cedo ou mais tarde, em juros mais altos e crédito mais caro para empresas de todos os tamanhos.

O que aconteceu

Na segunda-feira seguinte à eleição, o valor de mercado total das empresas da Bolsa caiu de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões. Essa única queda apagou praticamente todo o ganho que o mercado havia acumulado ao longo do ano: das empresas listadas, 75,5% da valorização conquistada em 2025 desapareceu em um dia. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, recuou quase 14%, e o dólar subiu mais de 8%, fechando acima de R$ 5,40. Essa combinação, ações caindo e dólar subindo ao mesmo tempo, mostra que os investidores saíram de ativos brasileiros em busca de proteção.

Para efeito de comparação, essa foi a quinta maior queda do Ibovespa desde o início do Plano Real, atrás apenas de episódios ligados a crises internacionais, como a crise russa de 1998, a crise asiática de 1997 e os primeiros meses da pandemia em 2020. A diferença é que, dessa vez, o gatilho não foi uma turbulência externa, mas uma reavaliação das perspectivas econômicas e políticas do próprio Brasil.

Quem foi mais afetado

O setor bancário sozinho respondeu por cerca de um terço de toda a perda do dia, com R$ 240,1 bilhões a menos em valor de mercado somando as 18 instituições analisadas. Itaú, BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil estiveram entre os mais atingidos. O caso do Banco do Brasil é especialmente revelador: a instituição perdeu 29,3% do seu valor, enquanto a Petrobras, também estatal, perdeu 7,3%. A explicação está na natureza dos negócios: a Petrobras vende petróleo cotado em dólar e se beneficia parcialmente da alta da moeda americana, enquanto o Banco do Brasil empresta em reais e fica mais exposto a um cenário de crédito mais caro e economia mais fraca.

Outros setores sensíveis ao crédito também sofreram bastante. Entre as dez ações do Ibovespa com as maiores quedas, estavam varejistas, incorporadoras, uma locadora de veículos e empresas de saúde e educação, com perdas entre 38% e 58%. São negócios que dependem do financiamento ao consumidor, de crédito para projetos de longo prazo ou de capital para sustentar suas operações. Quando o mercado passa a esperar juros mais altos e crescimento menor, reduz rapidamente quanto está disposto a pagar pelos lucros futuros dessas empresas.

Onde a perda se concentrou
R$ 240,1 biperda do setor bancáriocerca de um terço de toda a queda do dia.
R$ 92,8 biperda das elétricasafetadas pela alta dos juros de longo prazo.
58,23%maior queda individualregistrada pelas ações do Magazine Luiza.

Mesmo setores com receitas mais previsíveis, como energia elétrica, não escaparam: as elétricas perderam R$ 92,8 bilhões, e as empresas de petróleo, exploração e distribuição, R$ 80,5 bilhões. Juntos com os bancos, esses três setores concentraram cerca de 60% de toda a perda do dia. A explicação está na chamada curva de juros, ou seja, nas taxas que o mercado espera para os próximos anos. Quando essas taxas sobem, como aconteceu no dia seguinte à eleição, o valor presente dos lucros futuros das empresas diminui, mesmo que seus contratos sejam estáveis e regulados. Isso encarece o financiamento de novos investimentos e reduz o apetite dos investidores por pagar o preço que pagavam antes.

O que isso significa para o seu negócio

Se você administra uma empresa que depende de crédito, seja para capital de giro, expansão ou financiamento de vendas aos clientes, esse movimento é um sinal de alerta. Ele indica que o mercado está precificando um cenário de juros mais altos e crédito mais restrito à frente. Isso tende a encarecer empréstimos bancários, financiamentos e linhas de capital de giro, além de esfriar o consumo das famílias, especialmente em setores como varejo, construção civil e serviços financiados.

Mesmo que sua empresa não esteja na Bolsa, vale acompanhar esses sinais de perto. Negócios que dependem do mercado interno podem sentir o reflexo de um ambiente de crédito mais caro antes que isso apareça nas taxas de juros bancárias. Já empresas com receita em dólar ou ligadas à exportação tendem a ter algum amortecedor nesse cenário. O ideal agora é revisar previsões de custo de capital, negociar condições de crédito com antecedência e manter uma reserva de caixa mais robusta para atravessar um período de maior incerteza econômica.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.