Por que a bolsa caiu e o dólar subiu hoje: entenda o que pesou no mercado
24/09/2026 18:504 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de E-commerce e Marketplace, atualizado a cada mudança de norma.
Se você acompanha os preços em dólar da sua empresa, seja para importar insumos, pagar dívidas em moeda estrangeira ou simplesmente planejar o fluxo de caixa dos próximos meses, vale prestar atenção ao que aconteceu no mercado financeiro nesta quinta-feira. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 0,99%, perdendo o patamar de 184 mil pontos. Ao mesmo tempo, o dólar subiu 0,47% e encostou nos R$ 5,20, no maior valor de fechamento desde o final de agosto. O movimento reflete uma combinação de fatores externos e internos que ajuda a explicar por que o custo de operar com moeda estrangeira tem ficado mais caro.
O que fez o dólar e a bolsa se mexerem
O principal motor da alta do dólar veio de fora do Brasil. Os juros dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiram forte, de 5,114% para 5,220%, refletindo o temor de que a inflação nos Estados Unidos continue pressionada e de que o Federal Reserve precise subir ainda mais os juros por lá. Na prática, isso torna mais atraente para investidores globais deixar o dinheiro aplicado em títulos americanos, considerados mais seguros, em vez de investir em países emergentes como o Brasil. O resultado é a saída de capital da nossa bolsa e a valorização do dólar frente ao real e a outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Some-se a isso um fator local: o governo divulgou um relatório de avaliação fiscal mostrando gastos acima do esperado e maior dificuldade para equilibrar as contas públicas, além de uma piora relevante na previsão de déficit fiscal para 2026. Esse tipo de sinal costuma deixar investidores mais cautelosos com o Brasil, o que também contribui para pressionar a bolsa e o câmbio. O petróleo subiu forte no exterior, cerca de 3%, após um ataque com mísseis contra a Arábia Saudita, o que reforçou ainda mais as preocupações com inflação global.
Quem sente o impacto no dia a dia
Esse cenário afeta diretamente empresas que compram matéria-prima ou equipamentos importados, já que um dólar mais caro encarece esses custos. Também pesa sobre quem tem dívidas atreladas à moeda americana ou negocia com fornecedores internacionais. Do lado da bolsa, ações de grandes empresas como Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil caíram no dia, mesmo com o petróleo em alta lá fora, o que mostra que o humor geral do mercado esteve mais negativo do que setores específicos. Já ações ligadas a educação, como a Yduqs, e a logística, como a Vamos, subiram por motivos próprios, como anúncios de fusão e revisão de preço-alvo por analistas.
O momento político também entra na conta. Investidores estão de olho na disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas mais recentes. Segundo o gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, uma eventual vitória de Flávio poderia provocar forte euforia de curto prazo na bolsa, mas ele pondera que o candidato "não tem um projeto de governo" e recomenda cautela com excesso de otimismo, independentemente do resultado das eleições. Já uma reeleição de Lula, na avaliação dele, tende a gerar reação menos negativa do que se imagina, já que os investidores já têm baixa exposição a ações brasileiras.
No campo da política monetária, o Banco Central atualizou suas projeções para a economia brasileira, reduzindo a expectativa de crescimento do PIB em 2026 de 2,0% para 1,8%. Essa desaceleração da atividade econômica é vista por analistas como um fator que pode abrir espaço para novos cortes na Selic, hoje em 13,75%. Só que, se os juros caírem por aqui enquanto sobem nos Estados Unidos, a diferença entre as taxas dos dois países diminui, o que tende a reduzir o interesse de investidores estrangeiros em trazer dinheiro para o Brasil, pressionando ainda mais o dólar para cima.
Como se preparar
Diante desse cenário de instabilidade, vale reforçar alguns cuidados práticos. Empresas que dependem de importações ou têm compromissos em dólar podem avaliar mecanismos de proteção cambial, como contratos de câmbio a termo, para reduzir a exposição a essas oscilações. Também é importante revisar o fluxo de caixa considerando um dólar mais caro no curto prazo e acompanhar de perto os próximos desdobramentos fiscais e eleitorais, que devem continuar influenciando o humor do mercado nas próximas semanas. Se sua empresa tem operações atreladas à variação cambial, converse com seu contador para entender os possíveis impactos tributários e contábeis dessas oscilações no seu negócio.
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