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PMEs crescem pouco em agosto: veja o que pesa no seu faturamento

22/09/2026 10:433 min de leituraAtualizado há 8 horas

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você sente que o caixa da sua empresa não está andando como deveria, os números confirmam essa percepção. Um levantamento da Omie mostra que a movimentação financeira real das pequenas e médias empresas brasileiras cresceu apenas 1% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a alta é de 2,9%, um ritmo ainda mais fraco do que o observado entre 2022 e 2024.

O indicador, chamado IODE-PMEs, funciona como um termômetro da economia para negócios com faturamento anual de até R$ 50 milhões. Ele acompanha centenas de atividades econômicas nos setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços, o que permite enxergar com mais precisão onde o dinheiro está circulando e onde está travado.

O que está travando o crescimento

Segundo o economista Felipe Beraldi, da Omie, as pequenas e médias empresas vêm enfrentando dificuldade para aumentar o faturamento real desde o segundo trimestre deste ano. O motivo principal é a combinação de juros ainda elevados, alto endividamento de famílias e empresas, e queda na confiança dos consumidores. Um dado ilustra bem esse cenário: o Índice de Confiança do Consumidor, medido pela FGV, caiu pelo quarto mês seguido em agosto e chegou ao menor nível desde novembro de 2022.

Mesmo com o Banco Central promovendo cortes pontuais na Selic, o crédito continua caro para quem precisa financiar operações do dia a dia. E, apesar de a inflação ter dado uma trégua, com o IPCA acumulado em 12 meses recuando para 4,22%, o efeito dos juros altos por tanto tempo ainda pesa na atividade das empresas. Não é uma questão de um mês ruim: é o acúmulo de um cenário difícil que já dura meses.

O peso dos juros na visão dos empresários
59%apontam juros como principal barreirasalto em relação aos 49% registrados na pesquisa anterior.
54%esperam impacto negativo no curto prazosegundo a Sondagem Omie das PMEs de agosto.

Quem está indo melhor e quem está sofrendo mais

O desempenho não é igual em todos os setores. O Comércio foi o principal responsável por sustentar o resultado positivo, com alta de 1,3%, puxada tanto pelo atacado quanto pelo varejo, exceto pelo segmento de veículos, que recuou no período. Já a Infraestrutura foi o único setor a fechar no vermelho, com queda de 2,2%, reflexo direto da fraqueza persistente na cadeia da construção civil.

A Indústria teve um avanço tímido, de 0,8%, puxado principalmente pela fabricação de papel, alimentos e produtos químicos. Mas o cenário interno é bem desigual: de 23 segmentos industriais acompanhados, 12 registraram queda no período, mostrando que a recuperação está longe de ser uniforme. Os Serviços, por sua vez, ficaram praticamente parados, com variação de apenas 0,2%, sustentados por áreas como saúde, atividades profissionais e técnicas, transporte e educação. Já o setor de alojamento e alimentação, que reúne muitos pequenos negócios, voltou a cair no mês.

O que esperar dos próximos meses

Se você espera uma virada rápida, o cenário pede cautela. Segundo Beraldi, mesmo que a queda da inflação abra espaço para novos cortes de juros, o efeito sobre a atividade econômica é gradual e só deve aparecer mais adiante para as PMEs. Na prática, isso significa que o ambiente de demanda fraca e crédito caro deve continuar por mais algum tempo.

Para o seu negócio, o recado prático é manter o pé no chão no planejamento financeiro: revisar custos, evitar endividamento desnecessário e acompanhar de perto o comportamento do seu setor específico, já que o desempenho varia bastante entre segmentos. Ter informações atualizadas sobre juros, crédito e demanda ajuda a tomar decisões mais seguras num momento em que o crescimento segue lento e desigual para as pequenas e médias empresas.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.