Governo adia decisões fiscais: o que isso significa para sua empresa
05/11/2026 17:273 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário e vem acompanhando os sinais do governo sobre impostos, gastos públicos e juros, a notícia da semana é: ainda não há decisão tomada. O presidente Lula reuniu ministros, ex-ministros da Fazenda e técnicos do governo para discutir a agenda econômica, mas determinou que qualquer medida concreta só será analisada depois de sua viagem internacional. Na prática, isso significa mais um período de espera para quem precisa planejar investimentos, contratações ou preços com base no cenário fiscal do país.
O que foi discutido e o que ficou de fora
O encontro aconteceu um dia depois de o Banco Central decidir manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cortes que vinha sendo esperado por parte do mercado. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o objetivo da reunião foi discutir diretrizes gerais, como o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas e a melhora gradual do resultado primário (a diferença entre o que o governo arrecada e gasta, sem contar juros da dívida). Medidas específicas, no entanto, não entraram em pauta neste momento.
Durigan afirmou que ele e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, vão trabalhar para organizar e refinar propostas, que só serão levadas a Lula para aprovação após o retorno da viagem. O presidente vai à Turquia para participar da conferência climática da ONU (COP31) e, na sequência, segue para as Filipinas, para a cúpula da Asean, com previsão de voltar após o dia 17 de novembro.
Por que isso importa para quem empreende
Para empresários, o ponto central é a sinalização sobre o futuro das regras fiscais. Durigan reforçou que o governo pretende seguir avançando na melhora do resultado primário e falou em "reforçar as regras vigentes", mas sem detalhar quais seriam essas mudanças. Esse tipo de indefinição tende a manter a instabilidade em indicadores econômicos, o que afeta diretamente o custo do crédito, o câmbio e as expectativas de inflação, variáveis que entram no planejamento de qualquer negócio.
Outro ponto que merece atenção é a fala do ministro sobre os juros. Durigan evitou criticar diretamente a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano, mas reconheceu que a taxa de juros no Brasil é alta e prejudica todos os setores da economia. Ele disse que o esforço do governo no próximo mandato será dar "condições estruturais corretas" para permitir, no futuro, uma redução da taxa. Isso é relevante porque juros altos encarecem financiamentos, cartão de crédito empresarial e capital de giro, elementos que pesam no caixa de pequenas e médias empresas.
Chama atenção também quem estava na reunião e quem não compareceu. Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros da área econômica e de gestão, o presidente do BNDES e dois ex-ministros da Fazenda de governos anteriores do PT. Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado mas não esteve presente, por estar em viagem a São Paulo. Essa ausência, somada à decisão recente de manter os juros parados, reforça a leitura de que ainda não há alinhamento total entre o governo e a autoridade monetária sobre os próximos passos.
Como se preparar enquanto não há definição
Diante desse cenário de espera, a recomendação prática é manter cautela no planejamento financeiro de curto prazo. Como os juros seguem em patamar elevado e não há sinal de corte iminente, vale revisar contratos de crédito, renegociar dívidas caras e evitar comprometer o caixa com financiamentos de longo prazo até que o cenário fique mais claro. Também é importante acompanhar os desdobramentos após o retorno de Lula da viagem, já que é nesse momento que medidas fiscais mais concretas devem ser apresentadas e podem impactar tributos, gastos públicos e, por consequência, o ambiente de negócios no país.
A GL Inteligência Contábil vai continuar acompanhando esse debate de perto. Assim que novas medidas forem anunciadas, especialmente as que tenham efeito direto sobre tributação, crédito ou regras fiscais, traremos uma análise prática do que muda para o seu negócio e do que precisa ser ajustado no planejamento da sua empresa.
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