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Passivo trabalhista: como usar dados do RH para evitar riscos na empresa

09/08/2026 12:003 min de leituraAtualizado há 24 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se a sua empresa já usa algum sistema de RH, provavelmente tem em mãos mais informação sobre a equipe do que imagina: rotatividade por setor, engajamento, avaliações de gestores, motivos de saída. O problema é que ter esses dados não é o mesmo que usá-los. Levantamentos recentes mostram que a maioria das empresas identifica sinais de alerta, mas não consegue transformar isso em decisão prática, e essa lacuna pode custar caro em processos trabalhistas, turnover e clima organizacional.

O que os números mostram

Um estudo da consultoria Deloitte, o Global Human Capital Trends 2025, revela um contraste importante: a maior parte dos líderes de RH afirma que a tecnologia trouxe à tona problemas que antes passavam despercebidos, mas apenas uma pequena fração diz que a empresa está preparada para agir com base nessas informações. Ou seja, o gargalo não está mais em enxergar o problema, e sim em transformar o diagnóstico em ação.

IndicadorResultado
Líderes de RH que dizem que a tecnologia revelou problemas antes ocultos74%
Empresas que se consideram preparadas para agir sobre esses dados17%
Vantagem em retenção de talentos para empresas com maturidade em people analytics2,4 vezes mais chances
Profissionais que perdem confiança na liderança quando a empresa não age após pesquisas internas41%

Por que isso importa para o seu negócio

Para quem administra uma empresa, esse cenário tem um efeito direto no caixa e na operação. Um gestor com alta rotatividade na equipe não é mais apenas uma percepção informal do RH, é um dado que pode ser cruzado, investigado e corrigido antes que se transforme em ação judicial, queda de produtividade ou perda de bons profissionais. Quando esse acompanhamento não existe, a empresa só percebe o problema quando ele já causou dano: pedidos de demissão em cadeia, clima interno deteriorado ou reclamações trabalhistas que poderiam ter sido evitadas com uma intervenção mais cedo.

Vale destacar que dados relacionados a demissões, afastamentos e comportamento de equipes também têm relação direta com a rotina contábil e fiscal da empresa, já que impactam custos com rescisões, passivos trabalhistas e obrigações acessórias. Um RH que monitora esses indicadores com mais cuidado ajuda a reduzir surpresas financeiras e facilita o planejamento de custos com pessoal ao longo do ano.

Os riscos de não agir

Um ponto sensível apontado pelas pesquisas é o efeito da inação sobre a confiança dos próprios funcionários. Quando a empresa aplica pesquisas de clima ou engajamento, mas não muda nada depois de receber os resultados, o time percebe. Segundo dados citados na reportagem original, uma parcela significativa dos profissionais afirma que a falta de resposta após esses levantamentos reduz a confiança na liderança. Na prática, isso significa que ouvir sem agir pode ser pior do que simplesmente não perguntar, porque cria uma expectativa que não é atendida.

Como sua empresa pode se preparar

O caminho não passa necessariamente por comprar mais tecnologia, mas por criar processos internos claros: quem analisa os indicadores, com que frequência, e o que acontece quando um sinal de risco aparece. Isso inclui definir responsáveis por investigar áreas com alta rotatividade, estabelecer um retorno para os funcionários após pesquisas internas e envolver as lideranças na leitura desses dados, não apenas o RH. Empresas menores, que muitas vezes não têm uma estrutura de RH robusta, podem começar de forma simples: acompanhar mensalmente motivos de saída, reclamações recorrentes e sinais de insatisfação, e discutir esses pontos junto com o time de gestão financeira e contábil, já que muitos desses riscos se transformam em custo direto para o negócio.

No fim das contas, a tecnologia cumpriu a parte dela: mostrou o que antes ficava escondido. Agora cabe à empresa decidir o que fazer com essa informação. Para o empresário, o recado prático é claro: dados sobre pessoas não servem apenas para relatórios, servem para evitar problemas trabalhistas, reter talentos e tomar decisões financeiras mais seguras antes que a situação vire uma crise.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.