Paraguai cria mapa de polos industriais para atrair investidores
14/09/2026 16:403 min de leituraAtualizado há 46 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você tem negócios que dependem de logística, fornecedores ou expansão de operações na região do Mercosul, vale prestar atenção ao que está acontecendo no Paraguai. O Ministério da Indústria e Comércio do país (MIC) organizou um plano estruturado de desenvolvimento industrial baseado em 20 polos regionais e já conta com 48 municípios com zonas industriais aprovadas. A ideia é simples na prática: em vez de decidir a instalação de fábricas caso a caso, o governo quer usar dados concretos, como infraestrutura disponível, atividades produtivas já existentes e mão de obra da região, para orientar onde novos investimentos fazem mais sentido.
O que muda
O centro da estratégia é uma ferramenta chamada Mapa Nacional de Inteligência Competitiva, desenvolvida com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Esse mapa reúne informações sobre infraestrutura, indústrias já instaladas e potencial produtivo de cada região, funcionando como uma espécie de guia para quem está avaliando onde abrir ou expandir uma operação no país. Também entram nesse levantamento dados sobre população economicamente ativa, empregos formais e desemprego por distrito, o que ajuda a entender onde há mão de obra disponível.
Essa lógica é importante para quem pensa em investir: em vez de negociar região por região sem parâmetros claros, o empresário passa a ter acesso a um retrato mais objetivo das condições locais antes de tomar a decisão. Um dos objetivos declarados pelo ministro Marco Riquelme é reduzir o deslocamento de trabalhadores para outras regiões, levando indústrias e empregos para onde já existe mão de obra disponível.
Quem é afetado
A rede de 20 polos identificados cobre praticamente todo o território paraguaio, passando por regiões como o Curso Médio do Rio Paraguai, a Terceira Coroa de Assunção, o Corredor Central do Paraná, a Região Metropolitana de Encarnación, o Polo de Misiones, a Região Metropolitana da Tríplice Fronteira e a Grande Assunção, entre outras áreas com potencial agroindustrial, florestal e industrial. Ou seja, empresas de setores variados, da indústria de base à agroindústria, encontram opções mapeadas em diferentes pontos do país.
Além dos polos regionais, o zoneamento industrial municipal também avança. Atualmente, 48 municípios já têm zonas industriais aprovadas por seus conselhos locais, e outros 33 distritos estão em processo de elaboração de planos de ordenamento urbano e territorial. A meta de longo prazo é chegar aos 263 distritos do país. Essa aprovação de uso do solo é responsabilidade de cada prefeitura, mas o MIC oferece orientação técnica, principalmente nos municípios considerados prioritários, ajudando a identificar áreas e levantar capacidades produtivas locais.
Prazos e próximos passos
Segundo o ministro Riquelme, os mapas dos polos serão lançados oficialmente ainda neste mês, chamado no país de mês da indústria. O objetivo é orientar a instalação ou reorganização de indústrias de forma mais ordenada, aproveitando melhor a infraestrutura já existente. Não há, por enquanto, uma estimativa oficial de quantos empregos diretos serão gerados nos próximos dois anos, já que isso depende do ritmo em que os investimentos e os polos efetivamente avançarem.
Outra frente em andamento é uma nova Lei de Parques Industriais, ainda em fase de elaboração e consulta, que deve regular a expansão dos parques além dos oito já autorizados. Quanto aos recursos, o MIC não reserva uma verba específica só para esses polos: o financiamento deve vir de programas gerais de apoio a indústrias e investidores, leis de incentivo já existentes e parcerias com municípios, órgãos de energia e infraestrutura, incorporadoras privadas e outras fontes.
Na prática, o que o Paraguai está tentando fazer é substituir decisões pontuais por um planejamento territorial baseado em informação. Para empresários brasileiros que avaliam fornecedores, parceiros ou até expansão de operações no país vizinho, esse tipo de mapeamento pode facilitar a comparação entre regiões e reduzir a incerteza na hora de escolher onde investir. O desafio agora será transformar esse mapeamento em infraestrutura real capaz de atrair e sustentar novos negócios nas áreas identificadas.
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