PagBank quer multiplicar crédito por cinco: o que isso muda para pequenas empresas
03/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 21 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Se você é dono de um pequeno negócio e usa maquininha de cartão, fique de olho: o PagBank anunciou um plano ambicioso para os próximos anos. A empresa quer sair de uma carteira de crédito de R$ 5,1 bilhões para R$ 25 bilhões até 2029, uma multiplicação por cinco. O objetivo é claro: depender menos das maquininhas e virar um banco digital completo, oferecendo mais crédito e serviços financeiros para quem empreende, especialmente os pequenos.
Quem assumiu essa missão foi Carlos Mauad, que virou CEO da companhia em janeiro de 2026. Ele usa uma comparação direta para explicar o desafio: crédito é como remédio, a dose certa ajuda o negócio a crescer, mas o excesso pode causar problemas sérios, como inadimplência. Essa frase resume bem o equilíbrio que o PagBank precisa fazer: emprestar mais dinheiro sem quebrar a própria operação com calotes.
Por que o PagBank está mudando de estratégia
O motivo é simples: o mercado de maquininhas e pagamentos digitais está ficando saturado. O Brasil já tem 85% de penetração em pagamentos digitais, segundo a consultoria Bain & Company. Isso significa que fica cada vez mais difícil crescer só atraindo novos clientes para usar cartão ou máquina de cartão. Por isso, empresas como o PagBank estão de olho em outras fontes de receita, e o crédito é uma das apostas mais fortes.
Ao mesmo tempo, a concorrência está mais dura. O Mercado Pago, por exemplo, avançou nesse mercado e lançou uma plataforma própria voltada para pequenas empresas, disputando espaço direto com PagBank, Cielo, Rede e Stone. Isso pressiona as margens de todo mundo, inclusive do PagBank: no segundo trimestre de 2026, a receita de pagamentos da empresa caiu 4,7%, mesmo com mais volume processado nas maquininhas. Ou seja, a empresa está ganhando menos por cada transação, o que reforça a necessidade de buscar receita em outras frentes, como o crédito.
O que isso significa para quem tem um pequeno negócio
Se você é micro ou pequeno empresário, é justamente você o público-alvo dessa expansão de crédito. O PagBank já vem aumentando a oferta para esse perfil de cliente: a carteira de crédito cresceu 31% em um ano, e boa parte desse avanço veio de linhas sem garantia, ou seja, sem exigir que você deixe um bem como colateral. O crédito para capital de giro, por exemplo, disparou 204% no período.
Isso pode ser uma boa notícia para quem precisa de dinheiro rápido para o negócio, mas exige atenção redobrada. O cenário de juros no Brasil ainda é desafiador: a Selic está em 14% ao ano, e a taxa média cobrada de empresas em empréstimos subiu de 23,5% para 25,4% ao ano entre dezembro e julho. Ao mesmo tempo, a inadimplência das empresas também aumentou, e o país registrou número recorde de empresas em recuperação judicial, com destaque para as microempresas, que tiveram alta de 52% nesse tipo de processo em um ano.
Na prática, isso quer dizer que, se você buscar crédito no PagBank ou em concorrentes que também estão de olho nesse público, é fundamental avaliar com cuidado se a operação cabe no seu fluxo de caixa. O próprio Mauad reconhece que a empresa está usando inteligência artificial para analisar risco e calibrar as ofertas de crédito, tentando equilibrar o crescimento da carteira sem aumentar demais a inadimplência.
Outra mudança que vale observar é o papel das maquininhas. Segundo o executivo, o equipamento deve deixar de ser apenas um terminal para receber pagamentos e passar a funcionar mais como um "assistente de vendas", incorporando outras funções para o seu negócio. A tecnologia Tap on Phone, que transforma celular e tablet em maquininha, já cresceu 79,2% em movimentação no primeiro semestre de 2026, mostrando que essa transição já está em curso.
Como isso pode afetar seu negócio na prática
Para o empresário que já usa serviços do PagBank ou pensa em contratar crédito com a instituição, o recado é de cautela e oportunidade ao mesmo tempo. Por um lado, deve haver mais oferta de crédito e produtos financeiros voltados especificamente para pequenos negócios, incluindo linhas sem garantia, o que facilita o acesso. Por outro, com os juros ainda altos e a inadimplência subindo no país, é importante negociar bem as condições e não comprometer o caixa da empresa com parcelas que pesem demais no orçamento.
Vale acompanhar como o PagBank e seus concorrentes vão equilibrar esse crescimento de crédito com a rentabilidade, já que a pressão sobre as taxas cobradas nas maquininhas (o chamado take rate) já está caindo. Se esse aperto continuar, é possível que as instituições financeiras compensem por meio de mais oferta de crédito, o que pode significar tanto mais opções de financiamento quanto mais ofertas chegando até você. Antes de aceitar qualquer proposta, compare taxas, avalie sua real necessidade de capital e considere buscar orientação contábil para entender o impacto no fluxo de caixa do seu negócio.
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