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Oracle capta US$ 20 bi e ação derrete: o que isso sinaliza para o mercado de IA

03/11/2026 15:563 min de leituraAtualizado há 43 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você já deve ter ouvido falar da corrida bilionária das grandes empresas de tecnologia para investir em inteligência artificial. Pois um episódio recente mostra que essa corrida também traz riscos, e eles aparecem rápido no bolso de quem investe. A Oracle, gigante americana de tecnologia, anunciou uma captação de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) para financiar seus projetos de IA, e o mercado reagiu com desconfiança: as ações da empresa caíram quase 9% em um único dia, atingindo o menor valor em quatro meses.

O impacto foi tão forte que o patrimônio de Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo, encolheu quase US$ 12 bilhões (R$ 60 bilhões) de uma só vez. Mesmo assim, ele segue entre os dez maiores bilionários do planeta, segundo o ranking em tempo real da Forbes.

O que aconteceu

A Oracle informou à SEC, o órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos, que pretende captar recursos de duas formas: US$ 10 bilhões por meio da emissão de novas ações e outros US$ 10 bilhões via emissão de dívida. Segundo a própria empresa, o dinheiro será usado para finalidades amplas, como investimentos em equipamentos e infraestrutura, pagamento de dívidas, possíveis aquisições, distribuição de dividendos e recompra de ações.

Na prática, isso significa que a empresa está se endividando e diluindo sua base acionária para ter fôlego financeiro e seguir investindo pesado em inteligência artificial, especialmente em infraestrutura de computação em nuvem, área que vem crescendo rápido dentro da companhia. No último balanço trimestral, divulgado em setembro, a receita da Oracle com infraestrutura em nuvem cresceu 121%, e a empresa fechou contratos adicionais de computação em nuvem voltada à IA que somam mais de US$ 30 bilhões.

Por que o mercado reagiu mal

Apesar dos números de crescimento parecerem positivos, os investidores estão preocupados com algo mais profundo: será que todo esse investimento bilionário em inteligência artificial vai realmente se transformar em lucro no futuro? A Oracle prevê gastos anuais entre US$ 90 bilhões e US$ 95 bilhões, e no último ano fiscal já registrou despesas de capital de US$ 55,7 bilhões. São valores altíssimos, e o mercado está cobrando sinais mais claros de retorno sobre esse dinheiro.

Essa desconfiança não é um fato isolado do dia da captação. As ações da Oracle já vinham em trajetória de queda: acumulam desvalorização de mais de 30% nos últimos seis meses e de 37% apenas neste ano. Em junho, os papéis chegaram a valer US$ 248; hoje, estão bem distantes disso.

O tombo em números
8,76%queda das ações em um diamenor patamar desde abril.
US$ 11,9 biperda no patrimônio de Ellisonequivalente a R$ 59,5 bilhões.
37%desvalorização no anoação saiu de US$ 248 em junho para o patamar atual.

Para você, empresário ou gestor, esse episódio serve como um termômetro importante do momento que o setor de tecnologia vive. Investir em inteligência artificial virou praticamente obrigatório para empresas que querem se manter competitivas, mas o caso da Oracle mostra que o mercado financeiro está cada vez mais exigente quanto a provas concretas de retorno, e não apenas promessas de crescimento futuro.

Se a sua empresa depende de fornecedores de tecnologia, usa serviços em nuvem ou está avaliando parcerias com grandes players de IA, vale acompanhar de perto como essas companhias estão se financiando. Captações bilionárias como essa podem significar mais investimento e inovação disponível no mercado, mas também sinalizam que o apetite por risco está alto, e isso pode se refletir em instabilidade de preços, mudanças de estratégia ou até consolidações no setor nos próximos meses.

No fim das contas, o episódio reforça uma lição prática: antes de apostar todas as fichas em uma tecnologia ou fornecedor por causa do hype em torno da inteligência artificial, é sempre saudável olhar também para os fundamentos financeiros por trás da promessa.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.