Nubank lança conta em dólar e mira volta à Argentina: veja o que muda
12/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Nubank deu um passo importante para voltar a atuar na Argentina, mercado que havia deixado de lado em 2019. A novidade se chama Nu Global, uma conta multimoeda que estará disponível para usuários argentinos nas próximas semanas e que funciona sem a necessidade de o banco abrir uma operação regulada em cada país. A informação foi confirmada por David Vélez, fundador e CEO do Nubank, durante o lançamento da expansão da empresa nos Estados Unidos.
Se você acompanha o movimento de bancos digitais na América Latina, vale entender como essa novidade funciona e por que ela pode ser o prenúncio de uma chegada mais completa do Nubank ao mercado argentino, algo que já havia sido cogitado pela empresa há sete anos e que voltou a entrar nos planos da companhia.
O que é o Nu Global e como vai funcionar
O Nu Global é uma conta internacional que permitirá a clientes de mais de 35 países, incluindo a Argentina, abrir uma conta em um banco parceiro na Suíça, manter dinheiro em dólares, transferir valores entre países sem custo e em tempo real, além de contar com cartão de débito e possibilidade de investir em ativos digitais. Na prática, os saldos ficam em stablecoins: os valores em dólar são mantidos em USDC e os em euro, em EURC, ativos digitais que buscam manter paridade de um para um com as moedas tradicionais.
A oferta inicial prevê rendimento anual de 3,5% para os valores em dólar digital e de 2,2% para os valores em euro digital, com crédito diário. Os usuários também poderão gerar um cartão virtual Mastercard para uso em compras internacionais, integrado a carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay. O Nubank informou que não cobrará tarifas pelas transferências entre os países da rede e que aplicará uma variação cambial reduzida, sem gerar ganho ou perda para a empresa nessas operações.
É importante destacar: essa conta internacional não representa, por enquanto, a chegada do Nubank como banco regulado na Argentina. Os saldos em stablecoins também não devem ser tratados como depósitos bancários tradicionais. Por isso, se você pretende usar o serviço, vale conferir com atenção as condições de custódia, proteção dos recursos e acesso aos rendimentos nos termos definitivos do produto antes de decidir.
Por que isso importa para quem está de olho na Argentina
Para David Vélez, o Nu Global funciona como uma espécie de teste de mercado. A ideia é medir o interesse pela marca, a demanda por contas internacionais e a necessidade de produtos financeiros locais antes de decidir os próximos passos. Segundo ele, uma eventual segunda etapa poderia incluir maior adaptação da oferta ao mercado argentino, obtenção de licenças locais e lançamento de meios de pagamento ou crédito adaptados ao país, dependendo da resposta dos usuários e do cenário regulatório.
Vélez também explicou que o interesse do Nubank pela Argentina não é recente: o país seria o terceiro mercado da empresa, logo após Brasil e México, mas os planos foram abandonados após a mudança de governo em 2019, quando as condições econômicas do país mudaram completamente. Mesmo assim, o Nubank manteve equipes de tecnologia na Argentina e recentemente ampliou sua presença por meio de um hub de talentos no país.
O executivo destacou que a evolução regulatória argentina nos últimos dois ou três anos foi favorável para empresas como o Nubank, com medidas de desregulação que tornaram o mercado financeiro mais aberto à concorrência. Ele também apontou a baixa penetração do crédito como uma oportunidade, já que restrições anteriores às taxas de juros teriam reduzido os incentivos para conceder empréstimos a clientes de maior risco, deixando parte da população fora do sistema bancário formal.
O que fica em aberto
Uma eventual volta completa do Nubank à Argentina colocaria a empresa frente a frente com o Mercado Pago, mas Vélez descartou que se trate de uma disputa direta, afirmando manter boa relação com os executivos do Mercado Livre. A companhia também ainda não decidiu se uma futura operação local seria construída do zero ou por meio da aquisição de uma instituição já existente, embora Vélez tenha reforçado que a preferência do Nubank é crescer organicamente, mesmo que isso signifique um processo mais lento.
Se você tem negócios ligados ao mercado financeiro argentino ou acompanha a movimentação de bancos digitais na região, o lançamento do Nu Global é um sinal para ficar de olho: ele indica que o Nubank está testando o terreno antes de uma possível operação mais robusta no país, algo que pode reconfigurar a concorrência bancária argentina nos próximos anos.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
