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NR-1 e saúde mental: o que sua empresa precisa fazer agora

01/09/2026 19:153 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Sua empresa já parou para avaliar se a forma como cobra metas, organiza jornadas e conduz a liderança pode estar adoecendo os funcionários? Essa pergunta deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser uma exigência legal. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) agora inclui expressamente os chamados riscos psicossociais, ou seja, fatores relacionados à organização do trabalho, dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais que toda empresa precisa fazer.

Na prática, isso significa que sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, pressão constante por resultados e falhas de gestão não podem mais ser tratadas como problemas isolados ou de responsabilidade exclusiva do trabalhador. Elas passam a ser encaradas como riscos ocupacionais, no mesmo nível de outros perigos já mapeados nas empresas, como ruído, calor ou risco de acidentes.

O que muda com a NR-1

Segundo a advogada Ana Luísa Santana, especialista em Direito do Trabalho e sócia do escritório Lara Martins Advogados, a mudança de postura precisa ser estrutural. "A principal medida é abandonar uma atuação apenas reativa. A empresa precisa identificar previamente os fatores do ambiente e da organização do trabalho que podem contribuir para o adoecimento mental e adotar medidas efetivas para preveni-los", afirma.

Isso quer dizer que campanhas de conscientização, como o Setembro Amarelo, são bem-vindas, mas não substituem uma análise contínua e documentada dos riscos. A empresa precisa mapear situações como sobrecarga, jornadas longas, ausência de pausas, cobranças desproporcionais, metas incompatíveis com a realidade, falta de autonomia, conflitos entre colegas e práticas inadequadas de liderança. Depois de identificar esses pontos, é preciso agir: eliminar o risco, reduzi-lo ou controlá-lo, e acompanhar se as medidas realmente funcionam.

Onde está o limite entre gestão e excesso

Cobrar produtividade e definir metas não é proibido, e continua sendo parte normal da gestão de qualquer negócio. O problema aparece quando essa cobrança ultrapassa limites razoáveis e passa a expor o trabalhador a constrangimento, humilhação, medo ou pressão excessiva e permanente.

A advogada cita exemplos que ampliam o risco trabalhista da empresa: metas manifestamente inalcançáveis, cobranças desproporcionais, ameaças, exposição pública de erros, comparações vexatórias entre funcionários e punições informais. Mesmo formas de gestão que parecem regulares merecem atenção redobrada quando combinadas com excesso de tarefas, jornadas prolongadas e pressão contínua. "Uma gestão eficiente não pode ser confundida com uma gestão baseada no esgotamento dos empregados", resume Santana.

O que fazer
01
Mapeie os riscos psicossociais

Identifique sobrecarga, jornadas excessivas, metas incompatíveis e falhas de liderança no dia a dia da empresa.

02
Estabeleça critérios objetivos para metas

Avalie não só os resultados, mas também como as lideranças cobram esses resultados dos times.

03
Capacite os gestores

Prepare lideranças para reconhecer situações de risco e conduzir cobranças sem exposição ou humilhação.

04
Crie canais seguros de denúncia

Mantenha meios de acolhimento para relatos de assédio ou sofrimento psíquico, com encaminhamento adequado.

05
Documente todas as ações

Registre a identificação de riscos, as medidas adotadas e o acompanhamento dos resultados ao longo do tempo.

Esse último ponto, a documentação, merece atenção especial. A empresa precisa conseguir demonstrar, se for necessário, que identificou os riscos psicossociais, implementou medidas de controle e acompanhou os resultados dessas ações. Essa comprovação não serve apenas para evitar problemas com a fiscalização: ela também reduz a exposição da empresa em reclamações trabalhistas, afastamentos previdenciários e pedidos de indenização por danos morais ou materiais.

A mensagem central da especialista é que a saúde mental no trabalho não pode mais ser vista como um assunto individual do funcionário, resolvido com uma palestra ou um folder informativo. Ela precisa ser incorporada à rotina de gestão do negócio, com revisão constante de processos, metas e comportamento das lideranças. "A prevenção precisa fazer parte da gestão empresarial, e não apenas das ações institucionais de conscientização", conclui Santana.

Para o seu negócio, o recado prático é claro: aproveitar o momento do Setembro Amarelo para revisar processos internos é positivo, mas não pode ser um esforço isolado. Com a NR-1 tratando riscos psicossociais como parte da gestão de riscos ocupacionais, empresas que não estruturarem esse acompanhamento de forma contínua ficam mais expostas tanto a problemas de saúde entre os funcionários quanto a passivos trabalhistas no futuro.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.