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NR-1 e riscos psicossociais: o que sua empresa precisa fazer agora

14/09/2026 19:303 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Você sabe o que realmente acontece dentro da sua empresa quando ninguém está olhando? Desde janeiro de 2022, com a nova redação da NR-1 (Portaria MTP nº 673/2021), as empresas passaram a ter uma obrigação que vai muito além de capacete, extintor de incêndio ou documento assinado. O capítulo 1.5 da norma passou a incluir, de forma expressa, os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, isso significa que a forma como as pessoas são tratadas dentro da empresa virou, também, uma questão de conformidade legal.

O que muda

Até então, o olhar da segurança do trabalho estava mais concentrado em riscos físicos, químicos e ergonômicos. Agora, comportamentos como humilhação pública, gritos, ameaças constantes de demissão, sobrecarga de trabalho, falta de apoio às equipes e ambientes de medo entram no radar da norma. Isso não quer dizer que cobrar resultados virou proibido. O problema não é a cobrança, é a forma como ela é feita. Gestor que humilha funcionário na frente dos colegas, que trata a equipe como se estivesse dando ordens sem espaço para diálogo, cria exatamente o tipo de ambiente que a norma passou a considerar um risco a ser gerenciado.

Esses riscos nem sempre aparecem em planilhas ou relatórios. Muitas vezes, o primeiro sinal é um funcionário mais calado, mais ausente, com queda de desempenho, ou até uma cena como a de alguém que se tranca no banheiro para chorar durante o expediente enquanto tudo continua funcionando normalmente do lado de fora. Aprender a enxergar esses sinais é parte do que a norma está pedindo agora.

Quem é afetado

Uma dúvida comum é se essa exigência vale apenas para empresas grandes. A resposta é não. Existem, sim, regras específicas e tratamentos diferenciados para MEIs e micro e pequenas empresas, mas isso não significa que assédio, sobrecarga ou conflitos internos possam ser ignorados só porque o negócio é pequeno. Na verdade, o impacto de um comportamento abusivo tende a ser proporcionalmente maior em equipes reduzidas: em um time de dez pessoas, por exemplo, basta um gestor problemático para contaminar o clima de toda a empresa.

Riscos psicossociais na prática
2022início da exigênciaNova redação da NR-1 passa a valer em janeiro, incluindo riscos psicossociais no gerenciamento ocupacional.
1.5capítulo da normaTrecho da NR-1 que passou a tratar expressamente dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho.
10 pessoasequipe pequenaExemplo citado: em times pequenos, um único gestor abusivo pode contaminar todo o ambiente.

Vale lembrar que a lógica por trás da norma não é apenas punitiva. Empresas que já entenderam isso não estão apenas preenchendo documentos: estão revisando processos internos, preparando lideranças para lidar melhor com conflitos, criando canais de escuta para os funcionários e tentando identificar problemas antes que virem crises. Isso é, na prática, uma forma de gestão preventiva, não apenas cumprimento burocrático.

Como se preparar

O primeiro passo é parar de tratar o tema como algo distante da realidade da empresa. Vale se perguntar: se você entrasse hoje em todos os setores do seu negócio, o que encontraria? Gestores preparados para lidar com pressão sem recorrer à humilhação? Funcionários que se sentem à vontade para relatar um problema? Ou um ambiente onde as pessoas preferem engolir o desconforto porque têm medo de perder o emprego?

Ignorar esse tipo de sinal tem custo, mesmo que ele não apareça de imediato no caixa. Um ambiente tóxico pode gerar afastamentos por saúde, aumento de conflitos internos, alta rotatividade, denúncias formais, processos trabalhistas e desgaste na reputação da empresa perante clientes e futuros funcionários. Por isso, antes de perguntar quanto custa se adequar à norma, pode ser mais útil perguntar quanto custa não perceber o que está acontecendo dentro de casa.

No fim das contas, a fiscalização não é o ponto de partida dessa mudança. O ponto de partida é a decisão da própria empresa de olhar com atenção para o que acontece dentro dela, entre gestores e equipes, no dia a dia real do trabalho. Se a sua empresa ainda não parou para avaliar isso, esse é um bom momento para começar.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.