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Novartis: por que a farmacêutica perdeu valor em bolsa duas vezes na mesma semana

08/09/2026 11:273 min de leituraAtualizado há 15 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A farmacêutica suíça Novartis perdeu 10% de valor em bolsa depois de anunciar que um remédio experimental para tratar uma doença que provoca atrofia muscular não teve os resultados esperados em uma etapa avançada de testes. Foi o segundo revés da empresa em apenas uma semana, e o episódio derrubou as ações de volta ao patamar em que estavam no início do ano.

Embora o caso envolva diretamente o setor farmacêutico, ele serve de lembrete para qualquer empresário: resultados de pesquisa e desenvolvimento são incertos, e o mercado reage rápido e com dureza quando expectativas não se confirmam. Para quem acompanha ações ou tem negócios ligados à cadeia da saúde, entender o que aconteceu ajuda a avaliar riscos parecidos.

O que aconteceu

O remédio em questão, chamado del-desiran, estava sendo testado para tratar a distrofia miotônica, uma doença muscular sem nenhum tratamento aprovado até hoje. O estudo, na fase final antes de um possível pedido de aprovação, não conseguiu mostrar uma melhora estatisticamente relevante em comparação a um placebo. Na prática, o remédio não reduziu a rigidez muscular dos pacientes de forma comprovada.

Esse medicamento havia chegado à Novartis por meio da compra da empresa Avidity, negócio fechado por US$ 12 bilhões. Ou seja: além do impacto imediato na bolsa, a farmacêutica agora precisa reavaliar o retorno esperado de uma aquisição bilionária que apostava justamente nesse tipo de produto para crescer.

O problema não veio sozinho. Um dia antes, as ações da Novartis já haviam caído mais de 3% após outro remédio, dessa vez voltado para colesterol, também falhar em testes. Com isso, a empresa já soma dois de três resultados importantes do pipeline deste ano abaixo do esperado, incluindo um que era visto por analistas como praticamente certo de dar certo.

Por que isso importa para o mercado

A Novartis vinha apostando em três remédios (o del-desiran, um tratamento cardíaco chamado pelacarsen e um anti-inflamatório chamado remibrutinib) para sustentar o crescimento da empresa nos próximos anos. Essa estratégia ganhou peso porque o principal remédio da farmacêutica atualmente, o Entresto, já vem perdendo vendas, e suas patentes devem vencer no início de 2030, o que tende a abrir espaço para concorrentes mais baratos.

Apesar dos tropeços recentes, a empresa afirmou que mantém sua projeção de crescimento das vendas entre 5% e 6% ao ano, em média, no período de 2025 a 2030. Executivos da companhia reconheceram que desenvolver tratamentos para doenças raras e complexas, como a distrofia miotônica, é um processo difícil, e que contratempos fazem parte do caminho da pesquisa científica.

O que fica de lição

Para investidores e empresários que acompanham o setor de saúde, o episódio reforça um ponto prático: apostas em inovação, por mais promissoras que pareçam, carregam risco real de não se concretizar, mesmo depois de investimentos bilionários. Isso vale tanto para quem tem ações do setor quanto para negócios que dependem de fornecedores farmacêuticos ou de parcerias em pesquisa.

O caso também mostra como o mercado financeiro penaliza rapidamente notícias negativas, especialmente quando elas se acumulam em curto espaço de tempo. Fica o alerta para quem avalia investimentos ou negócios ligados a empresas de base científica: vale acompanhar de perto os resultados de pesquisa, não apenas os anúncios de aquisições e expectativas de crescimento.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.