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Musk diz que dinheiro vai perder sentido em 2036: entenda o que muda

16/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 17 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Elon Musk fez uma previsão ousada em entrevista à revista The Economist: segundo ele, o dinheiro não terá mais importância a partir de 2036. A ideia parte de um cenário em que robôs e inteligência artificial produziriam tanto que o trabalho se tornaria opcional e a necessidade de dinheiro, praticamente desnecessária. Para você que administra um negócio, entender os argumentos por trás dessa previsão, e por que ela é questionada, ajuda a separar expectativa de realidade na hora de planejar investimentos e decisões de longo prazo.

O que Musk está prevendo

O raciocínio de Musk é simples: se máquinas e IA conseguirem produzir mais comida, moradia, transporte e entretenimento do que as pessoas conseguem consumir, para que serviria o dinheiro? Ele compara o trabalho do futuro à jardinagem, algo que as pessoas farão por prazer, não por necessidade, já que os itens essenciais estariam disponíveis em abundância. É uma visão otimista e, em parte, coerente com o que já vimos: a mecanização reduziu bastante o esforço humano necessário para produzir bens básicos, e a IA amplia essa tendência para tarefas intelectuais, como redigir contratos ou analisar exames médicos em minutos.

O problema é que reduzir o custo de produção não elimina a necessidade de recursos para fazer essa produção acontecer. Para a previsão de Musk se confirmar totalmente, a IA também precisaria eliminar a necessidade de matéria-prima, energia, direitos de propriedade e as diferenças de preferência entre as pessoas. E é exatamente aí que a lógica de especialistas em economia diverge da dele: em vez de desaparecer, a escassez muda de lugar.

Por que a escassez não desaparece

Data centers de IA consomem uma quantidade enorme de energia, terrenos, minerais e água para funcionar. Segundo a Agência Internacional de Energia, um data center comum já consome tanta eletricidade quanto 100 mil residências, e as maiores instalações em construção podem consumir até 20 vezes mais. Robôs humanoides, por sua vez, dependem de motores, baterias, sensores e manutenção constante. Ou seja: quanto mais capazes as máquinas ficam, mais recursos físicos limitados elas exigem, e esses recursos não são infinitos nem estão disponíveis em qualquer lugar.

Consumo de energia da IA em números
100 milresidênciasé o consumo de energia de um data center típico de IA.
20x maisnas maiores instalaçõesos maiores data centers em construção podem consumir até 20 vezes mais energia.
945 TWhaté 2030projeção de consumo global de data centers, próximo ao consumo atual do Japão.

Além dos recursos físicos, existe outro tipo de escassez que a tecnologia não resolve: bens únicos e o tempo de pessoas específicas. A IA pode construir mais casas, mas não consegue duplicar um terreno específico bem localizado. Pode oferecer atendimento médico de qualidade, mas o acesso a um determinado especialista continua limitado pela agenda dessa pessoa. Nesses casos, alguém precisa decidir quem recebe o quê, e o dinheiro é historicamente a forma mais eficiente e justa de fazer essa distribuição, comparado a alternativas como fila, sorteio ou influência pessoal.

O que isso significa para quem investe e planeja o futuro

Há ainda uma função do dinheiro que vai além de comprar bens do dia a dia: ele serve como reserva para imprevistos. Ninguém sabe hoje que tipo de gasto vai enfrentar amanhã, seja uma doença, uma oportunidade de negócio ou uma mudança de cenário econômico. Quanto mais a tecnologia avança, mais cenários novos e imprevisíveis ela cria, o que reforça, e não elimina, a necessidade de guardar poder de compra para o futuro. A própria internet é um exemplo: tornou a informação abundante, mas criou escassez de atenção, curadoria e confiança, coisas que hoje têm alto valor comercial.

Para o seu negócio, a lição prática é que a discussão sobre quem será dono dessa nova capacidade produtiva, seja empresas, famílias ou governos, é tão importante quanto a discussão sobre abundância. Se as empresas forem donas dos robôs e da infraestrutura de IA, a distribuição da produção continuará dependendo de salários, dividendos, aluguéis e preços, ou seja, do sistema monetário que já conhecemos. Isso significa que investir em ativos ligados a essa infraestrutura, como energia, dados e propriedade intelectual, tende a ganhar ainda mais relevância, e não menos, nos próximos anos.

Na prática, mesmo que a inteligência artificial reduza drasticamente o custo de muitos produtos e serviços que hoje fazem parte do seu orçamento, isso não elimina a necessidade de planejamento financeiro nem de estratégias de investimento. Pelo contrário: acompanhar como a tecnologia está reorganizando a propriedade dos recursos escassos pode ser mais decisivo para o futuro do seu negócio do que apostar que o dinheiro simplesmente vai deixar de existir.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.