Pular para o conteúdo
VoltarFiscal

Ministro da Fazenda descarta plano de Lara Resende e fala em ajuste gradual

03/11/2026 13:573 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afastou nesta terça-feira a possibilidade de o governo adotar uma proposta de reforma monetária e fiscal defendida pelo economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real. Segundo ele, a ideia tem "deficiências" e sequer está sendo avaliada pela equipe econômica. Para empresários e gestores, a declaração importa porque ajuda a reduzir incertezas sobre a direção da política econômica, um dos fatores que mais pesam em decisões de investimento, crédito e precificação.

O que disse o ministro

Durigan classificou a proposta de Lara Resende, que sugere um novo regime monetário com limitação dos juros básicos no país, como uma "ideia incipiente", colocada para debate público, mas sem status de proposta formal. Ele afirmou que sua equipe pode até conversar com o economista e com outros especialistas, como já tem feito, mas que isso não significa adoção da tese. O recado foi direto: o rumo da política econômica segue sendo o ajuste fiscal gradual, sem mudanças bruscas de regime.

O ministro também comentou a expectativa em torno de uma possível reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Lara Resende, que vinha gerando questionamentos entre analistas de mercado. Durigan disse não haver agenda prevista entre os dois e reforçou que Lula não tem recebido outros economistas para tratar de propostas alternativas ao que já vem sendo discutido com a equipe econômica.

Por que isso afeta o mercado e as empresas

Qualquer sinal de mudança na condução da política monetária e fiscal tende a se refletir rapidamente em juros, câmbio e bolsa, variáveis que impactam diretamente o custo de crédito, o preço de insumos importados e o planejamento financeiro das empresas. Na semana anterior à entrevista, os preços dos ativos no Brasil caíram de forma expressiva após a reeleição de Lula, em meio a dúvidas sobre a capacidade do governo de controlar o crescimento da dívida pública. Nesta terça-feira, o mercado voltou a apresentar indicadores negativos, com queda na bolsa e alta do dólar e dos juros futuros.

O que está em jogo nas próximas indicações ao Banco Central
6indicações ao BC até o fim de 2027incluindo vagas já abertas e futuras.
2diretorias já vagasdesocupadas desde o início deste ano por dificuldade de negociação com o Senado.
4novas vagas em 2027duas abertas em fevereiro e duas em dezembro.

Essa renovação na diretoria do Banco Central é um ponto sensível porque influencia diretamente as decisões sobre a taxa básica de juros, que afeta o custo do crédito para empresas de todos os portes. Durigan afirmou que as indicações serão feitas com "rigor técnico" e perfis variados, seguindo o padrão adotado no mandato anterior de Lula, quando, segundo ele, nenhuma nomeação foi mal recebida pelo mercado ou pela opinião pública.

O que esperar daqui para frente

O ministro reforçou que o governo pretende tocar um ajuste fiscal "gradual", respeitando compromissos de campanha e priorizando justiça social em relação às camadas mais pobres da população. Para ele, a combinação de melhora nas contas públicas com melhora na vida das pessoas deve, com o tempo, responder às dúvidas que vêm surgindo no mercado, sem necessidade de medidas abruptas.

Para quem administra um negócio, o cenário pede atenção redobrada aos próximos passos do governo, especialmente às indicações para o Banco Central e aos sinais sobre o ritmo do ajuste fiscal. Até que esses pontos se definam, é natural que o mercado continue reagindo com volatilidade, o que recomenda cautela ao planejar investimentos, renegociar dívidas ou fazer projeções de custo de capital no curto prazo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.