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Mel nativo brasileiro: como a Mbee quer chegar ao varejo popular

24/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 49 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem um pequeno negócio ligado a alimentos, gastronomia ou varejo, vale acompanhar o movimento da Mbee, empresa brasileira que transformou o mel de abelhas nativas em item de luxo nos cardápios de restaurantes premiados internacionalmente. Depois de 12 anos focada no mercado de alta gastronomia, a empresa acaba de anunciar uma nova CEO e um plano para levar o produto até o consumidor comum, saindo das cozinhas mais sofisticadas do país para as prateleiras do dia a dia.

A Mbee foi fundada em 2014 pelo casal Márcia e Eugênio Basile e hoje trabalha com uma rede de 80 produtores espalhados por 16 estados brasileiros. O diferencial do produto está na variedade: assim como acontece com o vinho, o mel de abelhas nativas tem características que mudam conforme a espécie da abelha e a região onde é coletado, podendo ter textura aquosa, acidez elevada ou até notas que lembram canela e álcool. Foi essa qualidade que conquistou chefs de restaurantes com estrelas Michelin e consolidou a marca como referência no setor.

O que muda com a chegada da nova CEO

Para dar um salto de crescimento, a empresa contratou Priscila Sabará, executiva com experiência na fundação da plataforma Foodpass e passagem pelo mercado de tecnologia. Ela assume a missão de profissionalizar a gestão da empresa familiar e, principalmente, de levar a marca para além do público gourmet. "Queremos furar a bolha da gastronomia e chegar, mesmo, na casa das pessoas", afirma a nova CEO.

Hoje, a maior parte do faturamento da Mbee vem de vendas para empresas: no primeiro semestre de 2026, 77% da receita veio desse modelo, sendo 52,04% do setor de restaurantes e 24,98% de hotéis. Apesar desse sucesso, a empresa quer diversificar e reduzir a dependência desse único canal, mirando agora o consumidor final.

Plano de expansão da Mbee para 2027
01
Início de 2027: distribuidores

Acelerar a atuação por meio de distribuidores para ganhar capilaridade.

02
Meio do ano: canais próprios

Fortalecer vendas pelo site da marca e pela Amazon.

03
Último trimestre: varejo VIP

Entrada robusta em empórios e mercados selecionados.

O desafio cultural do consumo de mel no Brasil

A maior barreira para essa popularização não é de produção, mas de comportamento do consumidor. O Brasil é o 11º maior produtor de mel do mundo, mas o brasileiro consome 15 vezes menos mel do que os americanos e 25 vezes menos do que os suíços. Segundo a nova CEO, isso acontece porque o brasileiro tem uma relação histórica muito forte com o açúcar de cana e enxerga o mel mais como remédio do que como ingrediente do dia a dia. "Estamos mesmo em uma luta pela substituição do açúcar", resume Priscila, que também é nutricionista de formação.

Para se preparar para esse crescimento, a empresa está priorizando a organização interna antes de correr atrás de novos investimentos. A estratégia inclui o uso de inteligência artificial para automatizar tarefas do dia a dia, como recebimento de pedidos e controle de estoque. A meta é consolidar um crescimento de 20% ao ano com processos mais eficientes, para só depois considerar buscar capital externo, algo previsto para 2027 ou 2028. A CEO, que já conduziu quatro rodadas de investimento em experiência anterior, defende cautela: "O dinheiro do investidor precisa chegar no momento em que a gente esteja realmente pronto para fazer os 20% de crescimento. Se não, vira uma corda no pescoço".

Outro ponto de atenção estratégico é a exportação. Mesmo com chefs estrangeiros elogiando o mel brasileiro, a empresa não pretende priorizar as vendas internacionais agora. O motivo é de proteção do negócio: o Brasil já exporta mais de 80% do mel que produz, o que deixa o setor muito exposto a mudanças bruscas de tarifas internacionais. Por isso, a aposta da Mbee é primeiro crescer e se fortalecer no mercado interno antes de expandir para fora.

Para gestores de pequenos negócios, o caso da Mbee mostra um caminho interessante: consolidar reputação em um nicho de alto valor antes de buscar escala, e usar tecnologia para organizar a operação antes de acelerar o crescimento ou buscar investimento externo. É uma lição prática sobre timing e prioridades na hora de expandir um negócio com identidade forte.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.