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Fertilizantes: por que a Nutrien está recuando no varejo brasileiro

05/11/2026 17:543 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você trabalha com produção agrícola ou depende da cadeia de fertilizantes, vale prestar atenção ao que está acontecendo com a Nutrien, uma das maiores fornecedoras globais do setor. A empresa anunciou resultados trimestrais abaixo do esperado e revelou que está reduzindo suas vendas no varejo brasileiro, justamente num momento em que muitos produtores enfrentam aperto de crédito. A decisão pode afetar a disponibilidade e as condições de compra de fertilizantes no mercado brasileiro nos próximos meses.

O que está acontecendo

A Nutrien, maior produtora mundial de potássio, divulgou lucro trimestral de 61 centavos por ação, valor abaixo da expectativa de 80 centavos dos analistas. O resultado fraco foi puxado pela queda nas vendas de fertilizantes nitrogenados e pelo aumento nos custos de produção, especialmente de enxofre, insumo usado na fabricação de fertilizantes fosfatados.

Segundo a empresa, agricultores com dificuldades financeiras, principalmente no Brasil, estão adiando a compra de fertilizantes nitrogenados. A companhia atribuiu essa retração diretamente ao esgotamento do crédito disponível para os produtores brasileiros. Já a demanda por potássio, principal produto da Nutrien, segue forte em nível global.

Por que isso afeta o Brasil

A Nutrien confirmou que está reduzindo deliberadamente suas vendas no varejo brasileiro para concentrar esforços em produtores considerados de "alta qualidade" e diminuir o risco de calote. Na prática, isso significa que a empresa está sendo mais seletiva sobre para quem vende, priorizando clientes com situação financeira mais sólida. A companhia informou ainda que a revisão completa do seu negócio de varejo no país deve ser concluída até o fim do ano, o que pode trazer mudanças adicionais na forma como atende o mercado brasileiro.

O cenário da Nutrien em números
61 centavoslucro por ação no trimestreabaixo dos 80 centavos esperados pelos analistas.
3 estadosfechamentos planejadosempresa avalia encerrar operações em mais regiões.
2027ano previstopara fechamento da mina de fosfato na Flórida, no primeiro semestre.

Enquanto recua em algumas frentes, a Nutrien está redirecionando investimentos. A empresa vai fechar sua mina e unidade de processamento de fertilizantes fosfatados na Flórida no primeiro semestre de 2027, por baixa rentabilidade e esgotamento das reservas, e já encerrou a fábrica de fertilizantes nitrogenados em Trinidad, afetada por incerteza no fornecimento de gás natural e por problemas com taxas portuárias. Em contrapartida, a companhia decidiu manter e reforçar investimentos em seu complexo de fosfato na Carolina do Norte, ativo que antes chegou a cogitar vender.

O presidente da empresa, Ken Seitz, destacou que ter produção concentrada na América do Norte representa uma vantagem competitiva importante frente a concorrentes de regiões como a Europa, onde o custo do gás natural é muito mais alto. Essa vantagem, segundo ele, dá à Nutrien confiança para investir e ampliar a produção justamente nos Estados Unidos e no Canadá, mesmo enquanto reduz operações em outros mercados, incluindo o Brasil.

Para o empresário brasileiro do agronegócio, o recado prático é claro: a oferta de fertilizantes nitrogenados e fosfatados pode ficar mais seletiva e concentrada em produtores com crédito e histórico financeiro mais sólidos. A Nutrien também mencionou que espera manutenção da demanda forte vinda da China, o que mostra que o mercado global de fertilizantes continua aquecido, mesmo com os ajustes que a empresa está fazendo em sua operação brasileira.

Vale acompanhar os desdobramentos até o fim do ano, quando a Nutrien deve concluir a revisão de seu negócio de varejo no Brasil. Produtores rurais e empresas da cadeia agrícola que dependem de fertilizantes importados ou de fornecedores como a Nutrien devem ficar atentos a possíveis mudanças nas condições de fornecimento, prazos e critérios de crédito, buscando alternativas de abastecimento e negociação antecipada sempre que possível.

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