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McLaren vai lançar SUV: o que isso muda para a marca de supercarros

20/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A McLaren, fabricante britânica conhecida por seus supercarros esportivos, anunciou um plano de investimento de £ 500 milhões (cerca de US$ 668 milhões) para expandir sua produção no Reino Unido. A novidade mais chamativa do pacote é a confirmação de que a marca vai desenvolver seu primeiro SUV, um passo que a coloca ao lado de rivais de luxo que já fizeram esse movimento há anos.

O plano também prevê que a McLaren passe a fabricar seus próprios motores, algo que hoje é feito pela empresa britânica Ricardo. Além disso, os recursos serão usados para ampliar a produção de fibra de carbono e as instalações de pesquisa da marca em Sheffield, no norte da Inglaterra. O investimento faz parte de um compromisso mais amplo do acionista L'IMAD, fundo soberano do governo de Abu Dhabi.

O que muda na estratégia da marca

Até hoje, a McLaren construiu sua identidade em torno de carros esportivos de dois lugares com motor central, um formato tradicional entre fabricantes de supercarros. Com o novo investimento, a empresa vai romper essa lógica e ampliar seu portfólio. O primeiro SUV "de alto desempenho" deve chegar antes de 2030, segundo a companhia.

Um detalhe técnico chama atenção: a McLaren estuda usar no SUV uma célula estrutural de fibra de carbono, material que hoje é marca registrada de seus supercarros, mas que nunca foi aplicado a um SUV por nenhum fabricante. Segundo o diretor de operações da McLaren, Michael Straughan, essa é uma das decisões em discussão, já que todos os SUVs do mercado até hoje usam estrutura de alumínio.

A plataforma criada para o SUV, com motor na parte frontal, também abre espaço para outros modelos que a marca nunca produziu, como um grand tourer, carro de luxo para viagens longas. Dependendo das variações de tamanho e desempenho, a McLaren poderia disputar espaço com marcas como Bentley, Aston Martin, Ferrari e Porsche em diferentes segmentos.

Por que isso importa para o mercado de luxo

A decisão da McLaren segue um caminho já testado por outras marcas de carros esportivos e de luxo. A Porsche, por exemplo, enfrentou resistência quando lançou o Cayenne há mais de duas décadas, mas o modelo se tornou um sucesso comercial e ajudou a financiar o desenvolvimento de outros carros esportivos da marca. Casos parecidos aconteceram com a Lamborghini, cujo SUV Urus vende mais que qualquer supercarro da marca, e com a Bentley, Ferrari, Aston Martin e Lotus, que também têm SUVs em suas linhas.

O investimento da McLaren em números
£ 500 milhõesvalor investidoequivalente a US$ 668 milhões, destinado a produção e novos modelos.
1.000novos empregosprevistos até 2032 com as novas instalações.
Antes de 2030chegada do SUVprazo estimado pela própria McLaren para o lançamento.

Para uma empresa que até agora dependia quase exclusivamente da venda de supercarros de nicho, um SUV bem-sucedido pode significar uma fonte de receita muito mais estável. Isso porque esse tipo de veículo costuma atrair um público maior do que os modelos esportivos tradicionais, sem abandonar o posicionamento de luxo da marca.

O movimento também sinaliza uma mudança de ambição: em vez de lançar apenas versões atualizadas de seus supercarros, a McLaren passa a mirar diretamente concorrentes de segmentos onde nunca competiu, como os SUVs de alto desempenho e os grand tourers. Na prática, isso amplia o público-alvo da marca e cria a possibilidade de que um mesmo cliente compre mais de um modelo McLaren, algo hoje raro fora do círculo mais fiel de colecionadores.

Nada disso deve acontecer rapidamente, já que o próprio prazo estimado para o SUV é de até 2030. Mas o anúncio mostra que a McLaren está disposta a se reposicionar no mercado de luxo automotivo, buscando um espaço mais amplo e menos dependente exclusivamente dos supercarros que a consagraram.

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