Marcas de luxo entram no mercado imobiliário de Buenos Aires
29/09/2026 15:234 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Marcas de luxo que até pouco tempo atrás só apareciam em vitrines de lojas agora estão de olho em outro tipo de negócio: prédios residenciais. Nomes como Armani, Dolce & Gabbana e Porsche começam a associar sua grife a empreendimentos imobiliários de alto padrão em Buenos Aires, seguindo um modelo já testado em cidades como Miami e Dubai conhecido como branded residences, ou "residências com marca". Para empresários do setor imobiliário e do varejo de luxo, esse movimento é um sinal de para onde caminha o mercado de alto padrão na região.
O caso mais avançado é o Dolce & Gabbana Residences Buenos Aires, que teve a construção formalizada em Puerto Madero. O projeto terá 150 metros de altura e exige investimento estimado em US$ 160 milhões (cerca de R$ 816 milhões). A construção fica por conta da IEB Construcciones e o desenvolvimento é conduzido pela Nizuc Developments, ambas ligadas ao Grupo IEB. O diferencial não está só no tamanho do investimento: Domenico Dolce, estilista da marca, participa diretamente da concepção estética do prédio, do design e da escolha dos materiais que serão usados na torre.
O que muda no mercado imobiliário
Nesse modelo, a marca deixa de ser apenas um nome estampado na fachada e passa a fazer parte da identidade do empreendimento: entra na arquitetura, no design de interiores, nos materiais escolhidos e até nos serviços oferecidos aos moradores. É exatamente essa integração que separa uma branded residence de uma simples ação de marketing. Outro caso em negociação em Buenos Aires é o da incorporadora Pride Developer, que conversa com a LVMH, grupo francês dono de marcas como Louis Vuitton, Christian Dior e Tiffany, para incluir uma dessas marcas no projeto Maison Alvear, em Recoleta. Ainda não há acordo fechado, mas a Tiffany está entre as alternativas avaliadas, e a incorporadora já enviou plantas do projeto ao grupo francês.
Um terceiro movimento acontece no Madero Harbour, empreendimento em Puerto Madero que prevê hotel cinco estrelas do grupo Accor, shopping a céu aberto, escritórios e residências. A possibilidade de incorporar uma marca de luxo às residências também está sendo estudada. Alejandro Ginevra, CEO do GNV Group, empresa responsável pelo projeto, confirmou que a companhia avalia essa possibilidade, incluindo conversas com marcas como a Porsche. A empresa já tem experiência com o conceito no setor hoteleiro, com contratos com o Grupo Accor e com a marca SLS em Punta del Este.
Por que as marcas topam esse negócio
Segundo Ginevra, um empreendimento com marca associada é mais caro, mais trabalhoso e leva mais tempo para ser construído, além de exigir supervisão maior. Mas o retorno compensa: os apartamentos são vendidos por valor mais alto e o projeto ganha posicionamento de mercado. Já para incorporadoras como a Pride Developer, a lógica vai além de vender metros quadrados. Segundo Maximiliano Mustafá, presidente da companhia, a estratégia é associar empreendimentos a marcas internacionais de diferentes segmentos e construir em torno delas uma proposta de estilo de vida completa, não apenas um produto imobiliário.
A retomada da abertura de importações na Argentina foi um fator importante para que marcas internacionais voltassem a enxergar o país com bons olhos, não só para vender produtos no varejo, mas também para investir no mercado imobiliário local.
O laboratório de Miami
Miami é hoje a cidade que melhor mostra até onde esse modelo pode chegar. Na última década, o sul da Flórida se tornou um dos maiores mercados de branded residences do mundo, com destaque para projetos ligados a marcas automotivas. A Porsche Design Tower, em Sunny Isles Beach, ficou famosa por um elevador que leva o carro do morador diretamente até o andar do apartamento. A Bentley Residences, na mesma região, terá 61 andares e 216 unidades, com elevadores próprios para veículos e garagens dentro das residências, e conclusão prevista para 2027. A cidade também tem projetos da Aston Martin, da Mercedes-Benz e da Pagani.
Para empresários e investidores brasileiros que acompanham o mercado imobiliário de luxo na América Latina, o movimento em Buenos Aires é um indicativo de que esse tipo de negócio, até então concentrado em poucos mercados globais, pode se espalhar para outras capitais da região. Ainda é cedo para saber se o modelo vai se consolidar na Argentina, já que parte dos projetos citados está em fase de negociação. Mas o interesse de marcas como Dolce & Gabbana, LVMH e Porsche mostra que o setor de luxo enxerga no imóvel uma nova forma de construir marca e gerar receita, algo que pode inspirar movimentos semelhantes em outros mercados latino-americanos, incluindo o brasileiro.
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