LOG vende galpão em Recife por R$ 210 milhões: entenda o negócio
06/08/2026 10:513 min de leituraAtualizado há 27 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A LOG Commercial Properties, dona do ticker LOGG3 na bolsa, fechou a venda de um galpão logístico localizado na região metropolitana de Recife (PE) para o fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11). O valor da operação é de R$ 210 milhões, o que equivale a R$ 4.375 por metro quadrado. O acordo foi anunciado em fato relevante e ainda depende de aprovação do CADE, órgão responsável por avaliar concentrações de mercado.
Para você que administra um negócio, esse tipo de negociação mostra na prática como funciona um modelo chamado "asset light": a empresa constrói o imóvel, vende para um investidor, mas continua responsável pela administração do espaço. Isso significa que a LOG recebe o valor da venda à vista (parte dele) e ainda garante uma receita continuada com serviços de gestão, sem precisar manter o capital imobilizado no ativo.
Como foi estruturado o pagamento
Um ponto que chama atenção é a forma de pagamento, dividida em parcelas com prazos e correções diferentes. Isso é uma prática comum em operações imobiliárias de grande porte e pode servir de referência para negociações semelhantes: parte do valor entra em caixa imediatamente, parte em cotas do próprio fundo comprador, e o restante fica para daqui a mais de um ano, corrigido pela inflação.
| Parcela | Percentual | Forma de pagamento | Quando |
|---|---|---|---|
| 1ª | 62% | R$ 55 milhões em dinheiro e R$ 75 milhões em cotas do fundo | No fechamento do negócio |
| 2ª | 19% | Corrigida pelo IPCA | Após o fechamento |
| 3ª | 19% | Corrigida pelo IPCA | No 14º mês após o fechamento |
Essa estrutura protege o vendedor contra a perda de poder de compra ao longo do tempo, já que os valores futuros são reajustados pelo IPCA. Se você negocia contratos com pagamentos parcelados no seu negócio, seja venda de imóveis, equipamentos ou serviços de longo prazo, vale observar esse tipo de cláusula de correção monetária como forma de preservar o valor real do que será recebido.
O que isso representa para o negócio
O galpão vendido tem área bruta locável de 68.575 m² e foi entregue no quarto trimestre de 2024, ou seja, é um empreendimento recente. O preço de venda ficou alinhado ao valor patrimonial líquido do ativo, e a operação apresentou margem bruta de 41% e taxa interna de retorno de 26,1%. Esses números indicam que o projeto foi rentável tanto na construção quanto na venda, um indicador importante para quem acompanha a saúde financeira de empresas do setor de construção e logística.
Com essa venda, a LOG já soma cerca de R$ 1,3 bilhão em ativos reciclados em 2026, todos negociados a valor patrimonial. Reciclar ativos, nesse contexto, significa vender imóveis prontos para reinvestir o dinheiro em novos projetos, mantendo o ciclo de crescimento sem depender apenas de capital próprio ou empréstimos. É uma estratégia que outras empresas do setor imobiliário e de logística também podem considerar quando precisam de fôlego financeiro sem abrir mão do controle operacional dos empreendimentos.
No mercado financeiro, as ações da LOG recuaram 1,1% no pregão do dia seguinte ao anúncio, mas acumulam alta de 24% nos últimos 12 meses, cotadas a R$ 25,52. Esse desempenho sugere que investidores têm reagido de forma positiva à estratégia da companhia ao longo do tempo, mesmo com oscilações pontuais no curto prazo.
Se você é gestor de uma empresa do setor imobiliário, de logística ou de qualquer segmento que lide com ativos de alto valor, fica a lição prática: negociações bem estruturadas, com parcelamento inteligente e cláusulas de correção, além da manutenção de contratos de gestão após a venda, podem transformar um ativo imobilizado em fonte de caixa e receita recorrente ao mesmo tempo. Vale conversar com seu contador ou consultor financeiro para avaliar se esse tipo de estratégia se aplica à realidade do seu negócio.
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