LIV Golf em crise financeira: o que isso ensina sobre gestão de negócios
20/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 14 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você não precisa ser fã de golfe para tirar lições de negócio do que está acontecendo com a LIV Golf. A liga esportiva financiada pela Arábia Saudita, criada em 2022 para rivalizar com o tradicional PGA Tour, investiu mais de US$ 5 bilhões para atrair grandes nomes do esporte. O resultado, três anos depois, é uma sequência de prejuízos anuais entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões, e boatos de que a organização pode até pedir falência.
O que está por trás do problema
O caso mostra um erro clássico de gestão: crescer rápido, gastar muito e não ter um plano sólido de retorno financeiro. A LIV atraiu jogadores com premiações agressivas, de até US$ 30 milhões por etapa, um valor bem acima do que o mercado de golfe historicamente sustenta. Isso gerou visibilidade e barulho na mídia, mas não construiu uma base financeira capaz de sustentar a operação no longo prazo.
Agora, a liga tenta se reinventar. O CEO Scott O'Neill anunciou um novo patrocínio, embora não tenha revelado qual empresa está por trás do acordo. Mais importante: ele afirmou que o novo modelo de negócio vai colocar os próprios jogadores como acionistas majoritários. Essa mudança de estrutura societária levanta uma dúvida real no mundo do golfe: se a liga tiver dificuldades para pagar prêmios atrasados, os jogadores, agora também donos do negócio, seriam credores de si mesmos?
Os cortes que vêm a partir de 2027
Para tentar equilibrar as contas, a LIV já sinalizou uma reestruturação drástica a partir da temporada de 2027. O circuito, que hoje tem 14 etapas, deve cair para dez. A ideia é concentrar cinco eventos nos Estados Unidos, onde o esporte tem mais força econômica, e distribuir os outros cinco entre países onde o golfe já tem público fiel. As premiações também devem encolher: o valor máximo por etapa, hoje em US$ 30 milhões, deve cair para algo entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões.
No calendário atual, ainda restam dois eventos programados para 2026: um torneio em Indianápolis, entre 20 e 23 de agosto, e a competição por equipes que encerra a temporada, em Michigan. Mas nem esse último evento está garantido: dentro do próprio circuito, há incerteza sobre se a etapa de Michigan realmente vai acontecer.
Para você que administra um negócio, o caso da LIV Golf serve como alerta prático. Investir pesado para ganhar espaço em um mercado é uma estratégia válida, mas precisa vir acompanhada de controle de custos e de um modelo de receita que se sustente sem depender apenas de aportes externos. Quando o capital investido supera em muito a capacidade de geração de caixa, a conta chega, e as decisões de correção de rota, como redução de estrutura e ajuste de gastos, tendem a ser mais dolorosas quanto mais tempo se demora para agir.
A tentativa de transformar jogadores em sócios também mostra outra lição: reorganizar a estrutura societária pode ser uma saída para dividir riscos e alinhar interesses, mas exige clareza sobre quem assume o quê em caso de dificuldades financeiras. Antes de repetir esse tipo de movimento na sua empresa, vale mapear com cuidado as obrigações envolvidas e buscar orientação contábil e jurídica especializada.
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