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Jorge Paulo Lemann: como ele chegou a R$ 103,5 bi e o que isso ensina sobre gestão

07/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você provavelmente já ouviu falar de Jorge Paulo Lemann, mas talvez não saiba que a fortuna dele voltou a crescer com força depois de um ano difícil. Segundo a Lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026, o empresário carioca acumula R$ 103,5 bilhões e ocupa a terceira posição entre os brasileiros mais ricos, atrás apenas de Eduardo Saverin e de Vicky Safra e família. O salto de 17,61% em relação ao ano anterior chama atenção porque em 2025 ele havia registrado queda de 4,2% no patrimônio. Mais do que um número, a trajetória de Lemann carrega lições de gestão que valem para qualquer empresário, grande ou pequeno.

Quem é Jorge Paulo Lemann

Nascido no Rio de Janeiro em 1939, filho de um imigrante suíço que montou uma fábrica de laticínios em Resende, Lemann quase seguiu carreira como tenista profissional, chegando a disputar a Copa Davis. Formado em economia por Harvard, trocou as quadras pelos negócios em 1971, quando comprou uma pequena corretora no Rio de Janeiro. Essa corretora se transformou no banco Garantia, vendido ao Credit Suisse em 1998. Foi no Garantia que nasceu a parceria com Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, trio que moldaria boa parte do capitalismo brasileiro nas décadas seguintes.

Juntos, eles compraram o controle das Lojas Americanas em 1982 e usaram a rede como campo de testes para um modelo de gestão baseado em metas agressivas e corte de despesas. Esse mesmo método foi aplicado depois na cerveja: a compra da Brahma em 1989 e a fusão com a Antarctica, em 1999, deram origem à Ambev. Anos depois, a fusão com a belga Interbrew criou a Anheuser-Busch InBev, hoje uma das maiores cervejarias do mundo, da qual Lemann segue como acionista controlador.

O que explica o salto no patrimônio

A valorização das ações da Ambev na B3 é um dos principais motores da recuperação patrimonial de Lemann em 2026. Os papéis chegaram a subir 15,3% em um único dia, em maio, depois da divulgação do balanço do primeiro trimestre, e acumulavam alta de mais de 23% no ano. Como a lista da Forbes considera o valor de mercado das participações acionárias, esse movimento teve peso direto no resultado final.

A recuperação de Lemann em números
R$ 103,5 bipatrimônio em 2026alta de 17,61% frente ao ano anterior.
R$ 88 bipatrimônio em 2025ano em que houve queda de 4,2%.
+23%alta da Ambev no anoacumulado até o fechamento considerado pela lista.

Além da Ambev, Lemann mantém participações relevantes em negócios internacionais por meio da 3G Capital, empresa de private equity fundada em 2004 com Sicupira e Telles. Foi essa gestora que se associou a Warren Buffett para comprar a Heinz em 2013 e, dois anos depois, promover a fusão com a Kraft. A parceria, no entanto, não teve final tão positivo quanto o início: a 3G vendeu sua fatia na Kraft Heinz em 2023, e a própria empresa anunciou em 2025 que vai se dividir em duas companhias, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026. Mais recentemente, a 3G fechou a compra da fabricante de calçados Skechers, por US$ 9,4 bilhões, operação concluída em setembro de 2025.

Nem tudo na trajetória do trio foi expansão. O episódio mais duro dos últimos anos foi a crise nas Lojas Americanas, que em janeiro de 2023 revelou um rombo contábil de R$ 20 bilhões e dívidas de cerca de R$ 40 bilhões. A empresa entrou em recuperação judicial para reestruturar R$ 25 bilhões em dívidas, recebeu aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência e converteu outros R$ 12 bilhões de dívida em ações. Lemann, Sicupira e Telles negaram publicamente qualquer conhecimento das manobras contábeis. A companhia pediu para sair da recuperação judicial em março de 2026, embora parte dos credores ainda conteste o encerramento.

Além dos negócios

Para você que administra uma empresa, o caso Americanas serve como lembrete de que crescimento agressivo precisa vir acompanhado de controle contábil rigoroso, algo que vale tanto para grandes grupos quanto para negócios de qualquer porte. Já a trajetória de Lemann na educação mostra outra faceta: ele criou em 1991 a Fundação Estudar, para financiar estudos de jovens em instituições de prestígio, e em 2002 a Fundação Lemann, dedicada à qualidade da educação pública no Brasil. Desde 1999 ele vive na Suíça, para onde se mudou com a família após uma tentativa de sequestro dos filhos.

Aos 87 anos, Lemann segue como um dos nomes mais associados ao estilo de gestão que o Brasil corporativo exportou para o mundo, marcado por metas ambiciosas e disciplina de custos. Ele integra um grupo de 37 bilionários nascidos no Rio de Janeiro que aparecem na lista de 2026, estado que soma R$ 600,8 bilhões em patrimônio, dentro de um total de 255 brasileiros que juntos acumulam cerca de R$ 1,86 trilhão. Para o empresário que acompanha esse tipo de notícia, fica a lição prática de que resultado financeiro sólido depende tanto de bons investimentos quanto de gestão transparente e sustentável ao longo do tempo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.