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Imóveis sustentáveis valem mais: o que empresários do setor podem aprender

29/10/2026 14:384 min de leituraAtualizado há 18 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você atua no mercado imobiliário ou pensa em investir em um empreendimento, vale prestar atenção a uma mudança de lógica que já está em curso em cidades como Singapura e Nova York: construir com mais qualidade e sustentabilidade deixou de ser apenas um custo extra e passou a ser um jeito de ganhar mais dinheiro. Isso vale tanto para quem incorpora e constrói quanto para quem administra ou aluga imóveis comerciais e residenciais.

O que muda

Em Singapura, o governo criou um sistema que recompensa incorporadores que incluem melhorias de qualidade em seus projetos, como sistemas de refrigeração mais eficientes, soluções sustentáveis e mais áreas verdes nos edifícios. Na prática, quem atende a esses critérios pode construir até 10% a mais de área no mesmo terreno. Ou seja: quanto mais qualidade o projeto tem, maior a área que pode ser vendida ou alugada, e maior o retorno financeiro para quem constrói.

Esse modelo inverte a lógica tradicional, em que sustentabilidade é vista como gasto adicional sem retorno claro. Em Singapura, ela virou parte do modelo de negócios: investir em qualidade abre espaço para mais receita. A cidade de Roterdã, na Holanda, já está adaptando essa mesma ideia, testando um projeto-piloto para estimular o setor privado a investir em construções com menos emissão de carbono, em vez de apenas cumprir exigências mínimas.

Quem é afetado

Essa tendência não fica restrita a grandes cidades asiáticas ou europeias. Em Nova York, a REAL New York, empresa de corretagem imobiliária, já incorpora esse raciocínio em suas análises de mercado. Um exemplo é um empreendimento de 108 unidades que, após reforma, deve reduzir em 85% o consumo de energia por unidade, tornando-se o primeiro projeto com certificação Passive House a conseguir financiamento da Fannie Mae, uma das principais financiadoras imobiliárias dos Estados Unidos.

Para empresários do setor, o recado é direto: inquilinos e compradores já procuram ativamente imóveis mais eficientes. Segundo a REAL New York, moradores de edifícios sem esse padrão chegam a gastar cerca de US$ 800 por mês com refrigeração no verão, valor que pode cair para US$ 400 em imóveis com projeto mais eficiente. Essa economia influencia diretamente a decisão de compra ou aluguel, e também o tempo que o morador permanece no imóvel, o que impacta a rentabilidade de quem administra o empreendimento.

Imóvel sem padrão eficiente

  • Custo de refrigeração: cerca de US$ 800 por mês no verão
  • Maior rotatividade de inquilinos
  • Consumo de energia mais alto

Imóvel com padrão Passive House

  • Custo de refrigeração: cerca de US$ 400 por mês no verão
  • Inquilinos permanecem por mais tempo
  • Menor custo operacional para o proprietário

Essa diferença de custo também beneficia quem é dono do imóvel, não só quem mora nele. Menor consumo de energia significa menor custo operacional e melhor posição diante de regras municipais sobre emissão de carbono em edifícios, fatores que impactam diretamente o lucro operacional e o valor do imóvel no longo prazo. Por isso, segundo a REAL New York, é importante comunicar bem esses benefícios aos interessados, já que muita gente monta o orçamento considerando apenas o valor do aluguel, sem calcular o gasto futuro com energia.

Como se preparar

Em Nova York, a eletrificação total de edifícios novos com menos de sete andares já é obrigatória desde 2024. Isso significa que, sozinha, essa característica deixou de ser diferencial, já que virou exigência legal. O que realmente diferencia um empreendimento hoje é a eficiência: uma estrutura bem vedada e isolada, combinada a sistemas elétricos eficientes de aquecimento e refrigeração, reduz o consumo de energia de forma consistente, e isso é o que o mercado passa a valorizar.

Além da eficiência energética, outros fatores de conveniência também entram na conta de valorização de um imóvel: proximidade de transporte público, possibilidade de deslocamento a pé, acesso a boas escolas e comodidades dentro do próprio edifício, como academia e sauna. Para quem pensa em construir, reformar ou comprar imóveis para investimento, vale considerar esses elementos desde o planejamento, e não como um ajuste posterior.

Um ponto de atenção para quem já é proprietário: um levantamento recente mostrou que os donos de imóveis costumam subestimar bastante o custo de manutenção ao longo da vida útil da propriedade. A diferença entre o que se espera gastar e o que realmente se gasta é significativa, o que reforça a importância de planejar a manutenção e a eficiência do imóvel desde o início, em vez de lidar apenas com reparos emergenciais ao longo do tempo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.