Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.
Se o seu negócio depende de transporte, logística ou uso intenso de veículos, fique atento: a partir de 1º de fevereiro de 2027, o ICMS cobrado sobre gasolina, diesel e gás de cozinha (GLP) vai aumentar em todo o Brasil. A decisão foi tomada pelo Confaz, o conselho que reúne os estados e o Distrito Federal, e vale também para São Paulo, apesar da mudança ter gerado repercussão política por lá.
Na prática, o imposto sobre a gasolina passa de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. O diesel, combustível mais usado por empresas de transporte e frotas comerciais, sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro. Já o GLP, usado nos botijões de cozinha, vai de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Esses valores foram definidos pelos Convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, publicados em outubro de 2026.
O que muda na prática
É importante entender que esses números representam o aumento do imposto, não necessariamente o reajuste final que você verá no preço da bomba ou do botijão. O repasse ao consumidor também depende de outros fatores, como custos de produção, transporte e margens de distribuidoras e revendedores. Ainda assim, é um sinal claro de que o custo com combustíveis tende a subir a partir de fevereiro de 2027, o que merece entrar no seu planejamento financeiro.
Vale lembrar que o diesel é o combustível com maior impacto proporcional, o que preocupa especialmente empresas de logística, transportadoras, distribuidoras e qualquer negócio que dependa de frete e deslocamento de mercadorias. Um aumento de R$ 0,13 por litro pode parecer pequeno isoladamente, mas se multiplica rapidamente em operações com grandes volumes de combustível.
Por que o imposto está subindo
Desde 2023, o ICMS sobre combustíveis segue um modelo chamado de tributação monofásica, criado pela Lei Complementar 192/2022. Nesse sistema, o imposto é cobrado uma única vez na cadeia, com valor fixo por litro ou por quilo, em vez de ser calculado como percentual sobre o preço de venda. Por isso, o valor não acompanha automaticamente as variações de preço nas bombas: os estados precisam revisar periodicamente esses valores fixos, com base em uma metodologia nacional.
Para calcular o reajuste de 2027, o Confaz comparou os preços dos combustíveis entre fevereiro e setembro de 2026 com o mesmo período de 2025, usando dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Ou seja, trata-se de uma atualização técnica e anual, não de uma medida pontual ou motivada por razões políticas específicas de algum estado.
Quem é afetado e o que considerar
Como a aprovação no Confaz foi unânime, a regra vale igualmente para todos os estados e o Distrito Federal. Isso significa que não há como escapar do reajuste mudando de região: empresas de qualquer parte do país vão sentir o mesmo tipo de impacto no custo de combustíveis a partir de fevereiro de 2027.
Se a sua empresa utiliza frota própria, terceiriza transporte ou depende de entregas frequentes, o momento é de revisar previsões de custo para o início de 2027. Negócios que usam GLP em operação, como restaurantes, lanchonetes e indústrias de alimentos, também devem considerar esse aumento ao projetar despesas fixas. Conversar com seu contador para simular o impacto no fluxo de caixa e avaliar possíveis ajustes de precificação é uma forma prática de se antecipar à mudança antes que ela entre em vigor.
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